O que é social para Ferdinand de Saussure?

No mundo atual em que vivemos,  todas as nossas ações estão intrinsecamente ligadas e moldando a sociedade. Isso porque nas relações sociais muitas são as trocas significativas: uma roupa, um imóvel, um automóvel ou até um provérbio popular, entre tantos outros elementos, podem assumir significação e valores específicos. Assim também o são as leis impostas em uma comunidade, como ocorre nas cidades, estados e países em geral. E quanto ao que se discute na área da Linguística, o que é social? Não podemos falar em Linguística, sem lembrar de seu fundador, Ferdinand de Saussure. Neste ensaio, discutirei o que é social para Saussure, considerado por muitos como “o pai da linguística moderna”.

Primeiramente gostaria de esclarecer alguns conceitos importantes da Linguística, segundo o professor de Genebra, em seu Curso de Linguística Geral. Como todo estudante de Letras sabe, a Linguística é uma ciência que estuda a língua. A linguagem, por sua vez, é uma faculdade estritamente humana, até onde sabemos. É uma característica universal e imutável do ser humano, nos dada pela natureza. A linguagem tem um lado social e um lado individual, sendo impossível conceber um sem o outro. O lado social é a língua, a qual se constitui como um sistema de signos.

Como sistema de signos, a língua encontra uma definição e um modo de descrição muito específico, a partir de um mecanismo organizador. Saussure afirma que a língua tem dois eixos de organização: o eixo associativo (sintagmático), e o eixo paradigmático. O eixo paradigmático é o eixo das escolhas, onde o falante tem os signos linguísticos a sua escolha, para usar como quiser. Já o eixo sintagmático é o eixo das combinações, onde o falante combina os signos linguísticos já escolhidos.

Signo linguístico é a união de um conceito com uma imagem acústica; esta não é um som material, coisa puramente física, mas a impressão psíquica desse som. O som linguístico é uma entidade psíquica de duas faces. A imagem acústica chamamos de significante. Enquanto o conceito, sentido, chamamos de significado. É impossível existir significante sem significado.

Uma vez já definidos os conceitos necessários, voltamos à pergunta inicial deste ensaio: O que é social para Saussure? Como já mencionado, a linguagem tem um lado individual e um lado social. O lado individual da linguagem podemos dizer que é a fala. Ou seja, um indivíduo aprende os códigos de comunicação, signos linguísticos, e relaciona conforme parecer-lhe melhor (paradigma). A escolha e combinação desses signos depende, em parte, do indivíduo. O indivíduo falante relaciona os signos linguísticos em seu cérebro. É um processo virtual, psíquico, ele escolhe determinados signos, e automaticamente elimina os outros naquele dado momento.

Por outro lado, a língua é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo. Pois um indivíduo não consegue dominar, criar ou moldar um sistema de signos, sozinho. Precisamos uns dos outros para nos comunicarmos. A língua é convencional, resultante de um acordo entre os usuários. A língua é adquirida, o indivíduo não pode criar ou modificar, afinal, a língua é exterior a ele. A língua faz a unidade da linguagem, pois articular palavras faz-se com a ajuda do instrumento criado e fornecido pela coletividade. Então, esta é parte social da linguagem.


Ensaio escrito para a disciplina de Linguística I pelo estudante de Letras, Leomir Lemes.

Tal trabalho utilizou-se das seguintes referências:
SAUSSURE, F. de. Curso de Linguística Geral. 2º. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
NORMAND, Claudine. Convite à linguística.  1. Ed. São Paulo: Contexto, 2012

Deixe um comentário