Médico ou Louco

Se era eu médico ou louco, nunca saberei.

Amigo, a lucidez fez-me doente crônico.

Pálido perante os castigos da vida

Mediquei os irremediáveis,

Os intocáveis,

Almas perdidas de um purgatório que até Deus esqueceu.

Cacei homens, mulheres, duendes, belzebus,

Vivi e morri em noites de tormenta

aos pés da cama de um enfermo.

E, naqueles corredores chorosos,

Nas manhãs mais frias, ouvi histórias sobre amar e sofrer,

Lembranças de passados nunca vividos.

Agora, diante dos olhos crus da morte,

Ouço súplicas,

Gritos delirantes daqueles que nunca falaram,

Vozes e vozes rasgadas por demônios perdidos nas sombras.

Sombras que tremulam à melodia da loucura.

Sombras de um médico e um louco.

Sombras de um médico louco.

 


 

Poema vencedor do concurso “O solidário e intenso Valor Bordin”,
da Academia Passo-Fundense de Letras. A autoria é da estudante
do curso de Letras da UPF, Caroline de Camargo Ribeiro.

 

 

 

 

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