Uma guerra contra os fatos

Eleita como a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford, a “pós-verdade” tem muita relação com o fenômeno das fake news. Basicamente, o adjetivo significa que os fatos são cada vez mais desvalorizados, na medida que a emoção e crenças pessoais ganham força na formação da opinião pública. E a data desse “reconhecimento” coincide com dois fatos importantes daquele ano: o Brexit, que é a saída do Reino Unido da União Europeia, e a última eleição presidencial dos Estados Unidos, que elegeu o político Donald Trump. Nos dois casos, venceu-se pela emoção.

Fotos: Divulgação

Se analisarmos quem votou a favor do Brexit, o resultado será um contingente de homens brancos, de baixa renda, do interior e com menor nível educacional. Para eles, a imigração e a abertura de mercados estava piorando suas vidas e antes delas o mundo era melhor.

Sobre a última eleição presidencial norte-americana, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) elaborou um relatório com a análise de 1,25 milhão de matérias publicadas por 25.000 fontes entre 1º de abril de 2015 e 8 de novembro de 2016, o dia das eleições. O levantamento identificou que, enquanto a cobertura de Hillary Clinton, candidata do partido democrata, estava centrada no caso dos e-mails, sua fundação e Benghazi, a de Trump, o candidato republicano, até tinha seus escândalos, mas baseava-se essencialmente em sua agenda e aquilo que defendia. Isso fortaleceu sua imagem perante os apoiadores.

Mas achar que as fake news são responsáveis pela pós-verdade é um erro. Isso nada mais é que acreditar que antes se vivia em um mundo onde a verdade era objetiva. Porém esse mundo nunca existiu. O que existe de novo é a era de redes sociais, que impulsiona a disseminação de conteúdo falso que sempre foi criado. É claro que houve fake news quando começou a discussão do Brexit e durante as eleições dos Estados Unidos, mas existem registros de notícias falsas em todo o período histórico conhecido. Inclusive, em 2018 foi a vez do Brasil experimentar esse fenômeno na própria eleição presidencial. Nunca se falou tanto em fake news no país. Com o passar dos anos, buscaram-se alternativas e soluções para esse problema. Entram aqui os serviços de verificação de notícias e fatos feitas por veículos ou grupos independentes, como o Fato ou Fake, Agência Pública, Aos Fatos, Lupa, etc.

 

Em Passo Fundo, Manuela D’Ávila fala sobre fake news

 

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No dia 12 de setembro de 2019, quarta-feira, Passo Fundo recebeu uma visita que dividiu opiniões: era a de Manuela D’Ávila, candidata às vice-presidência na chapa PT-PCdoB durante as eleições de 2018.

Na sua agenda, o lançamento do livro “Revolução Laura”, que aborda temas de maternidade, resistência e sua relação com as fake news. A política – que também é jornalista – compartilhou experiências do seu trabalho com o instituto “E Se Fosse Você?”, que combate a disseminação do ódio nas redes sociais. Na oportunidade, estudantes e profissionais de jornalismo entrevistaram a Manuela.

Muitas questões giravam em torno dela naquele dia, afinal Manuela tem seu nome ligado a diversos acontecimentos relevantes na política brasileira, como o fato de ela ter entregue seu celular pessoal para a Polícia Federal e também cedido o número do jornalista Glenn Greenwald para um hacker.

Mas ela também falou sobre algumas fake news das quais ela mesma foi vítima. Um dos exemplos que citou foi uma notícia de que ela tinha ido fazer o enxoval da filha em Miami, quando ela sequer estava lá. “Por causa de uma fake news, minha filha apanhou com 45 dias de vida, quando eu fui acompanhar um show do Duca”, revelou.

 


 

X-Tudo

Para saber mais sobre fake news e os detalhes do bate papo com a Manuela na UPF, ouça agora o terceiro episódio do podcast X-Tudo, que é produzido por alunos do curso de Jornalismo.

 


 

Por Felipe Ohse, estudante de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo. 

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