Incêndio no Centro de Eventos: o debate em Fahrenheit 451

Integrando a programação principal da Semana do Conhecimento UPF 2019, na noite de 03 de setembro, o projeto realizou o evento Literatura em Diálogo – Aluno-protagonista: leitura, (anti)intelectualidade e (trans)formação em Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Foi intenso, foi emocionante! Alunos do curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras protagonizaram uma releitura viva do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, realizando um grande espetáculo artístico, como podemos ver pelas fotos.

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Os professores da UPF Ivânia Campigotto Aquino – coordenadora do projeto – e Cláudio Wagner, o aluno da graduação em Letras Kaian Lago fizeram a interpretação da narrativa. Além disso, houve a participação especialíssima do tradutor da obra, Cid Knipel Moreira, que, com sua fala sobre o processo da tradução, criou, sem dúvida, um dos pontos altos da noite.

Todos dialogaram em torno do tema do livro, já clássico e que constitui sem dúvida um dos maiores manifestos contra o fascismo e todas as formas de censura na história da literatura do século XX e agora, do século 21.

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O livro é uma ficção futurista e, como tal, um desafio para qualquer pesquisador da área da cultura e da literatura que se proponha a fazer uma análise neste “agora” de 2019. Os alunos, com suas intervenções poéticas, teatrais, de dança, de música, contribuíram para a contextualização, que, acreditamos, produziu uma boa experiência em quem assistiu.

O romance traz a história de uma sociedade que vive a tragédia da queima dos livros. Fahrenheit 451 do título da obra é a temperatura em que os livros se incineram. Hoje, ecos dessa distopia estão presentes nas várias editoras fechadas e nas outras que reduziram seu volume de obras publicadas, sem falar na contrapartida dos hábitos de leitura das novas populações estudantis e universitárias.

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Foto: Assessoria de Imprensa/UPF

Podemos perguntar aos leitores, neste momento, quantos estão lendo livros em papel, quantos lendo em celulares e tablets e quantos apenas usam os celulares em função das mídias sociais, que no livro era antecipado por Bradbury como a TV interativa. É bom lembrar que, sintomático desse novo contexto, talvez a tragédia expressa pelo Fahrenheit 451 esteja hoje se repetindo na forma de farsa, pois hoje, curiosamente, 451 se tornou o número do código de erro que em informática descreve uma passagem onde houve expurgo ou censura no texto. Ou seja, não é preciso mais queimar livros, uma instrução em computador pode fazer a devida “depuração” de ideias e noções indesejáveis.

Pelo projeto, vamos na contramão disso e falamos de esperança. Não a de tornarmo-nos
“homens-livros”, como no livro é a saída que resta. Hoje, graças aos novos recursos eletrônicos podemos salvar da queima praticamente todos os grandes livros da literatura mundial e carregá-los no bolso como lembretes da verdade e da liberdade do espírito humano, bem como arma contra todos os fakes que pelas mídias sociais nos tentam impingir.

 

Literatura em Diálogo

O Projeto Literatura em Diálogo, que inclui alunos da graduação em Letras e do PPGL – UPF, é dedicado ao trabalho de promoção de leitura e formação do jovem a partir da abordagem de obras e autores clássicos e contemporâneos.

A inclusão da literatura clássica encontra suas razões na experiência da leitura escolar, considerando a percepção advinda dos professores que atuam sem ala de aula. A grande maioria evidencia o desinteresse do jovem pelo texto clássico literário: há resistência e, não poucas vezes, recusa ao estudo de autores e textos dessa natureza. Assim, a inovação a que o Projeto se propõe visa a desafiar o estudante a conhecer as obras e a despertar o seu interesse por elas. A literatura contemporânea, por sua vez, é objeto do trabalho por ser considerada uma produção de linguagem que carrega certa experimentação vanguardista, de onde nasce a renovação em relação à clássica.

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