A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) foi criada em 11 de julho de 1951 (Decreto nº 29.741). No artigo 2º desta lei, que apresenta os seus objetivos, está determinada a necessidade de “assegurar a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados que visam ao desenvolvimento do país”.
Era o início do segundo governo Vargas e a retomada do projeto de construção de uma nação desenvolvida e independente era palavra de ordem. A industrialização pesada e a complexidade da administração pública trouxeram à tona a necessidade urgente de formação de especialistas e pesquisadores nos mais diversos ramos: desde cientistas qualificados em Física, Matemática e Química a técnicos em Finanças à pesquisadores sociais. Em 1961 a CAPES foi subordinada diretamente à Presidência da República.
No governo Castelo Branco, o Conselho de Ensino Superior se reuniu para definir e regulamentar os cursos de pós-graduação nas universidades brasileiras. A partir de 1966 o governo começou a elaborar planos de desenvolvimento como, o Programa Estratégico de Governo e o 1º Plano Nacional de Desenvolvimento (1972-1974).
No processo de reformulação das políticas setoriais, com destaque para a política de ensino superior e a de ciência e tecnologia, a CAPES ganhou novas atribuições e meios orçamentários para multiplicar suas ações e intervir na qualificação do corpo docente das universidades brasileiras. Com isso, ganhou papel de destaque na formulação da nova política para a pós-graduação, que se expandiu rapidamente.
No dia de 15 março de 1990, o governo Collor extinguiu a CAPES. No entanto, após intensa mobilização no meio acadêmico, com o apoio do Ministério da Educação, a medida foi revertida. Em abril do mesmo ano a CAPES foi recriada pela Lei nº 8.028.

Em 1995 a CAPES passou por uma reestruturação, fortalecida como instituição responsável pelo acompanhamento e avaliação dos cursos de pós-graduação stricto sensu brasileiros. Naquele ano o sistema de pós-graduação ultrapassou a marca dos 1000 cursos de mestrado e dos 600 de doutorado, envolvendo mais de 60 mil alunos.
Uma das ações da CAPES é o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). O Pibid é uma ação da Política Nacional de Formação de Professores do Ministério da Educação (MEC) que visa proporcionar aos discentes na primeira metade do curso de licenciatura uma aproximação prática com o cotidiano das escolas públicas de educação básica e com o contexto em que elas estão inseridas.
O programa concede bolsas a alunos de licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência desenvolvidos por instituições de educação superior (IES) em parceria com as redes de ensino.

Os projetos devem promover a iniciação do licenciando no ambiente escolar ainda na primeira metade do curso, visando estimular, desde o início de sua formação, a observação e a reflexão sobre a prática profissional no cotidiano das escolas públicas de educação básica. Os discentes serão acompanhados por um professor da escola e por um docente de uma das instituições de educação superior participantes do programa.
Os objetivos do PIBID são: incentivar a formação de docentes em nível superior para a educação básica; contribuir para a valorização do magistério; elevar a qualidade da formação inicial de professores nos cursos de licenciatura, promovendo a integração entre educação superior e educação básica; e, também, contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura.
Como é o PIBID na UPF?
Assim como em muitas instituições de ensino superior brasileiras, este programa também está inserido na Universidade de Passo Fundo. No Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) o projeto, no ano de 2019, uniu os cursos de Letras, Filosofia e História para fazer uma atividade interdisciplinar. Apesar de serem de áreas diferentes, os acadêmicos envolvidos no projeto interagem entre si, adquirem conhecimento, desenvolvem relacionamentos interpessoais, compartilham e criam novas experiências no ambiente acadêmico e escolar.
E o que dizem os acadêmicos?
Ao ser questionada sobre o que pensava que era o PIBID antes de fazer parte dele, a acadêmica de História, Verônica Samonek, foi sincera e objetiva ao dizer que não fazia ideia do que estava por vir, só entrou por curiosidade e pelo tempo que tinha disponível. Já quando questionada sobre a experiência no PIBID ela responde dizendo, “é uma experiência muito importante, pois na graduação o acadêmico demora para entrar em sala de aula, já no Pibid isso lhe é proporcionado cedo”.
Outra estudante entrevistada foi a Paula Zanette do curso de Letras que, quando questionada, suspira e fala:
– Eu não tinha nenhuma expectativa com o PIBID antes de entrar. Eu comecei mas pelas horas complementares mesmo e porque ia agregar algo no meu currículo. E agora que eu entrei, acho que o PIBID é um bom programa, tem uma influência positiva na escola e também pros acadêmicos. O programa possibilita uma interação com os alunos, e pra quem nunca entrou em sala de aula (como nós) é uma coisa muito positiva, pois tu tira uma amostra de como é ser professor, de como é lidar com os alunos, etc.”
O PIBID e seu protagonismo
Entre os dias 02 e 06 de Setembro realizou-se na Universidade de Passo Fundo a Semana do Conhecimento. O evento ocorre anualmente e visa aproximar as práticas de pesquisa e ensino no qual os acadêmicos têm a oportunidade de apresentar, na instituição, trabalhos, relatos de experiências e projetos de pesquisa conforme abordagens em seus respectivos cursos. É uma oportunidade de interação entre os cursos e troca de saberes com a comunidade acadêmica.
Foi no dia 05 de setembro, na Semana do Conhecimento, que os integrantes do PIBID de Letras e História da UPF apresentaram seu projeto de intervenção escolar com o título: “América Latina, Quem somos?” O objetivo principal do projeto é construir o conceito de identidade latino-americana, usos e influências, a partir das representações sociais carregadas pelos estudantes e aprofundadas pelo exercício da pesquisa, direcionada por meio de uma prática interdisciplinar entre Letras e História, a fim de evidenciar os diversos aspectos que a compõe.
No ano de 2019 o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) veio com uma novidade: unir os cursos de graduação do IFCH e realizar uma atividade interdisciplinar. Sendo assim, os cursos de Letras, Filosofia e História estão trabalhando juntos nesse novo projeto interdisciplinar.
Os bolsistas do PIBID foram divididos em três grupos para desenvolverem intervenções em três escolas diferentes. Cada grupo de bolsistas tem sua metodologia, planos de ensino e dinâmicas conforme acordado com sua respectiva orientadora da escola e acadêmicos pibidianos.
O grupo aqui citado é composto pelos acadêmicos de Letras Sabrina e Leomir e pelas acadêmicas de História Marina, Huliana, Mariana e Verônica. As intervenções acontecem na Escola Estadual de Ensino Médio Adelino Pereira Simões, semanalmente, em dois períodos de aula da disciplina de sociologia disponibilizados pela professora de filosofia, sociologia que também orienta o grupo Dana Gabriele Hannecker.
Os ministrantes trouxeram relatos e fotos que foram tiradas em intervenções que já aconteceram. Nessas intervenções o grupo começou sensibilizando os estudantes para refletirem sobre estereótipos que todas as regiões sofrem e suas influências na sociedade. A partir daí, na intervenção, o grupo solicitou que os estudantes fizessem um desenho de um gaúcho, um brasileiro e um latino-americano. Todos os estudantes fizeram desenhos diferentes para cada representação solicitada, sendo que poderiam desenhar eles mesmos como gaúchos, que também são brasileiros e fazem parte de América Latina.
Em outra intervenção foi feito recorte e colagem de elementos extraídos de revistas com os quais eles mais se identificam. Depois cada um comparou com o trabalho do colega e todos perceberam que mesmo eles convivendo diariamente juntos nem sempre se identificam com as mesmas coisas. Além dessa conclusão, também foi possível observar que, apesar de todos serem sul rio-grandenses, o que faz deles brasileiros e também latino-americanos, alguns não se identificam com nada que seja do Rio Grande do Sul, Brasil ou América Latina. É notório que através de influências externas da mídia, indústria de filmes, jogos etc. muitos não se identificam com nada exclusivamente de América Latina.
Após essa quebra de paradigma e estereótipos, foi dividida a América Latina em sete partes de acordo com afinidade cultural e não geopolítica. Também foi dividida a sala em sete grupos e cada bolsista do PIBID ficou responsável por um grupo para auxiliá-los a fazer uma pesquisa direcionada sobre a região pela qual ficaram responsáveis. Cada grupo trouxe uma pesquisa sobre religiosidade, aspecto econômico, cultura e comidas típicas de sua respectiva região. Duas semanas depois os grupos apresentaram suas pesquisas para toda a sala. Os bolsistas fizeram uma análise geral, complementando em alguns aspectos e, por fim, decidiram quando será realizado uma mostra cultural de todo o projeto.
Dia vinte e oito de outubro é a data prevista para a mostra cultural, no qual o grupo trará comidas típicas, músicas, folhetos com informações gerais de sua região. Também será confeccionado um grande mapa cultural da América Latina. A feira será realizada na parte da manhã e contará com a participação de toda a escola.
O grupo de bolsistas do PIBID concluiu seu tempo de fala na Semana do Conhecimento explicitando o interesse em fazer os estudantes da escola, através do projeto, refletir sobre estereótipos errôneos, desnecessários e preconceituosos sobre algumas regiões que devem ser abolidos. Também fazer os alunos pensar que a pluralidade de culturas dentro de um mesmo território nacional, enquanto lugares que geopoliticamente estão divididos, com culturas semelhantes, demonstra que a identidade se constrói ao longo da vida e que não nascemos com ela.
Texto de Leomir Filipe de Oliveira Lemes, estudante de Letras.