A significação da língua

                                                                   

         Ensaio produzido na disciplina de  Linguística I pela acadêmica de Letras Priscila Anita Stormowski

A língua, objeto de estudo da Linguística para Saussure, parte integrante da composição humana e capacidade de nos tornarmos falantes em determinado idioma, só é capaz de trazer tantas possibilidades porque significa. Realmente parece algo muito simples e obvio, porém, parando para analisar no cotidiano, é possível vê-la como arte da palavra e como facilitadora da comunicação, sem, muitas vezes, nos darmos conta da sua existência literal.

Gosto de pensar na língua como arte para conseguir conhecê-la melhor. Com os suportes de Saussure e Benveniste é possível entendê-la no seu sistema, mas acho importante olhar para a sociedade para vê-la viva, em uso. Por conta disso, acredito ser possível ver a significação da língua na literatura, primeiramente. 

Como foi possível eu chorar lendo poesias lindíssimas de Ferreira Gullar? Ou rir em voz alta com as crônicas de Martha Medeiros? Espero não estar com nenhum problema emocional. Mas sei que não estou: isso é a significação da língua, mostrada na literatura. A maneira como o leitor absorve as palavras, as introduz no seu subconsciente com todas as emoções e sentimentos já existentes, faz com que aquilo o transforme, sempre de uma maneira peculiar a cada um. Também é imprescindível a capacidade de o escritor escolher certas palavras em detrimento de outras e exatamente com isso, emocionar

É fantástico. E com isso, é possível entendermos um dos pilares da língua, que está justamente implantado no sentimento, na emoção das pessoas. Ter a capacidade de tocar e emocionar escrevendo algumas palavras em um papel? É uma meta de vida.

Em segundo lugar, acho interessante analisar a maneira como essa significação chega às pessoas. Isso porque, como é possível ver pelos índices de pesquisas brasileiras, o analfabetismo ainda assola nosso país. Mas então, se essas pessoas não têm a possibilidade de realizar leituras, ou no caso do analfabetismo funcional, de compreendê-las em sua complexidade semântica, como chega a elas o significado da língua, se não da maneira escrita?

É aqui que habita a solução para os nossos questionamentos. Não são as palavras, os morfemas ou as letras que carregam sentido, significado. E sim, o que elas representam. É o valor que aquele determinado som exprime a determinada sociedade e cultura. Por conta disso que uma experiência fantástica é a análise de um imigrante recém-chegado a nosso país. Ele não sai questionando e perguntando a todos o porquê de prédio se chamar prédio e não, parabólica, por exemplo.

Aí está mais um ponto muito interessante de minha reflexão. Já foi visto que a língua significa e que tem a capacidade de transformar, mas então, adentrando em outro exemplo, como funciona o crescimento intelectual de crianças de rua, sem o mínimo de suporte familiar e estudantil? Acredito não ter a capacidade de imaginar exatamente o que se passa nesse contexto, porém refletir sobre, é possível. No âmbito linguístico, essas crianças dominam a língua sim, já que convivem em sociedade e se comunicam, portanto, são falantes e entendedores da linguagem usual. No entanto, é possível que em algum momento, ela seja sensibilizada por uma poesia bem escrita, assim como eu fui?

Por fim, acho interessante dizer que a capacidade de pensar sobre a Sociolinguística é uma experiência sem igual. E que, como qualquer artista das letras, da música e do teatro, ainda acredito na igualdade e na possibilidade de toda a sociedade brasileira ter a escolha de querer rir lendo Martha, ou chorar lendo Gullar.

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