Há males que vêm para o bem: o que o VI SENID pode nos ensinar sobre a pandemia do Coronavírus

Do conforto de casa, acessando ao Facebook – visualização simultânea por live ou pelo vídeo salvo na página do evento – ou por meio do Moodle (disponível até dia 08/05), foi possível assistir às mais diversas palestras, conferências, mesas redondas ou relatos de experiências do VI Seminário Nacional de Inclusão Digital, da Universidade de Passo Fundo. Desenvolvido em sua totalidade de forma online, o SENID contou com mais de trezentas horas de conteúdos que versavam sobre diversos temas dentro da cultura digital.

O evento, por sua temática, merece grande atenção, visto que é impossível estar alheio ao mundo digital dentro de uma sociedade que se encontra mergulhada em um vasto universo tecnológico e que proporciona acesso ilimitado a conteúdos, com um simples toque na tela. Mas, uma palestra em especial merece destaque pela situação mundial imposta pela disseminação da COVID-19: “Contribuições da EAD em tempos de crise”. Ministrada de forma majestosa pelas pesquisadoras em EAD Patrícia Grasel (IFRJ) e Aline Pinto (IFES), a exposição foi extremamente válida para toda a comunidade acadêmica, pois trouxe grandes explicações sobre o momento educacional “compulsoriamente” vivenciado em todo o país.

Logo de início, as pesquisadoras já trouxeram a definição de EAD, que pode ser compreendida como uma aprendizagem planejada para ocorrer em um local que não seja a sala de aula. Para tanto, é preciso que ocorra interação entre os envolvidos nesse processo e, principalmente, um grande e bom planejamento antes e durante o curso. Dessa forma, inevitavelmente serão utilizadas diversas tecnologias da informação e comunicação para auxiliar na produção e apreensão do conteúdo. Por isso, a educação a distância é considerada uma modalidade de ensino.

Desse modo, as autoras conseguiram trazer sua fala para a realidade atual falando da portaria n° 343/2020, instituída pelo MEC em março, logo em seguida do início do isolamento, a qual institui o ensino remoto, em que aulas presenciais são substituídas por aulas que utilizem TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Nas palavras das autoras, isso acabou deixando todos apavorados, já que se trata de algo totalmente novo – sobretudo na educação básica. Vale frisar, no entanto, que essa proposta do MEC não configura e nem estimula uma migração maciça do setor educacional para a modalidade EAD, muito pelo contrário, vem como uma proposta de enfrentamento da crise sanitária global e é uma medida de caráter excepcional e provisório, sendo sempre válido lembrar que, quando possível, tudo voltará ao normal.

Ainda que a maior parte dos estudantes sejam, como definem as pesquisadoras, “nativos digitais”, ou seja, nasceram com acesso e contato às mais diversas tecnologias, nem alunos e nem professores estão completamente preparados para uma total migração ao EAD. É necessário, essencialmente, formação de professores para isso, com vistas a estimular um melhor aproveitamento das ferramentas disponíveis para propósitos educacionais. Por isso, Patrícia e Aline estimulam os professores a se arriscarem em suas aulas utilizando TICs, não para emplacar o EAD como uma modalidade perfeita ou ideal, mas de modo a desenvolver outras habilidades que, talvez, não seriam tão bem exploradas em uma aula presencial.

Assim, em termos de educação, vivem-se tempos de grande descoberta. Mas, então, por que não tirar proveito disso? O ensino remoto, se bem utilizado, pode proporcionar uma revolução educacional. Quando se fala de educação básica em tempos de implementação da BNCC, talvez seja o melhor momento de serem desenvolvidas as habilidades relativas ao uso da tecnologia. No ensino superior, os alunos podem ser despertados à pesquisa e à busca pela autonomia, libertando seu espírito de pesquisador e preparando-se para a vida profissional de forma mais independente, extrapolando os limites do conteúdo recebido de sala de aula. Para tanto, o papel do professor é essencial, para estimular a criação de novas habilidades e propiciar um ambiente que torne o ensino eficaz e potencialize o conhecimento. Em tempos nos quais se fala muito a respeito de Multiletramentos e incorporação de recursos tecnológicos nas aulas, a pandemia nos obriga a (re)pensar metodologias e permitir um olhar diferenciado sobre as benesses que tais soluções podem oferecer.


AUTOR

Francismar Furlanetto é formado em Letras – Português / Espanhol
e acadêmico do Letras – Português/Inglês.

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