Metodologias Ativas e Ensino: uma reflexão sobre o 2º workshop no SENID 2020

De acordo com Leffa (2012), a sala de aula do futuro estará relacionada a emergência e à invisibilidade do professor. Obviamente, isto não está relacionado ao fim de nossa profissão, mas sim à mutação do estereótipo do sujeito detentor do saber, para aquele que auxilia o aluno a testar as diferentes possibilidades, a partir de hipóteses, e emergir do senso comum.

 Com isso, exemplos de metodologias ativas ganharam corpo e enfoque teórico. A proposta de uma sala de aula ativa é um conceito conhecido para aqueles que já tiveram contato com os princípios teóricos de  Vygotsky e Freire, por exemplo, que mesmo sem citar o termo, defendiam uma sala de aula através da interrogação e da experimentação dos conteúdos. 

No entanto, não há um formato único de aplicabilidade das mesmas, existe, sim, alguns atributos que podem facilitar a troca e assimilação do conteúdo em sala de aula. Por exemplo, a Sala de Aula Invertida, Ensino Híbrido (Blended Learning)Aprendizagem entre pares e times (team based learning)Aprendizagem baseada em problemas, Gamificação, Project Based Learning, Storytelling, entre outros.

A diferença entre esta e as demais metodologias de ensino está, essencialmente, no papel de aluno e do professor. Este, o professor, é essencial para o funcionamento da sala de aula, mas ele não é a única fonte de conhecimento. Logo, sua função é, como cita Leffa (2012), “ser o instrumento invisível que aproxima, amplia ou desvela o objeto a ser aprendido pelo aluno”.

O 2º Workshop de Metodologias Ativas, no VI Seminário Nacional de Cultura Digital na Educação (SENID- UPF) – evento ocorrido entre os dias 22 e 24 de abril, em formato online -, propôs uma discussão e questionamentos infindáveis a respeito da preparação e execução de nossas atividades enquanto professores.  Por exemplo, o relato de experiência “Finlândia: o que eu trouxe na bagagem!” apresentou o modelo de ensino finlandês e como o país conseguiu se tornar referência mundial em educação.  Além disso, o relato “O Uso do Audiovisual Como Ferramenta Pedagógica em Qualquer Nível de Ensino” discutiu o papel dos filmes em sala de aula e o mediador apresentou um passo-a-passo sobre como os professores podem utilizar o audiovisual como conteúdo e não ferramenta de ensino. 

Não só esses relatos, mas o evento como um todo apresentou contribuições para a prática docente atrelada à cultura de inovação e, com exemplos das mais diferentes áreas, é possível perceber que estamos presenciando uma revolução na educação nacional. Isso significa que a sala de aula será, antes de tudo, um laboratório de possibilidades, onde professor e aluno andam juntos e o conhecimento é o resultado da interação.


Jeisiane Segalla é mestranda em Letras pela UPF


Referências:

LEFFA, Vilson. Ensino de línguas: passado, presente e futuro. Revista de Estudos da Linguagem. Belo Horizonte, v. 20, n. 2. 2012. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/276548025_Ensino_de_linguas_passado_presente_e_futuro. Acesso em: 25/04/2020.

 

MORAN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/mudando_moran.pdf. Acesso em: 24/04/2020.

 

O QUE É A METODOLOGIA ATIVA. São Paulo: Supera, 04 fev. 2019.  Disponível em: https://superaparaescolas.com.br/o-que-e-metodologia-ativa/. Acesso em: 24/04/2020.

 

BECK, C. (2018). Metodologias Ativas: conceito e aplicação. Andragogia Brasil. Disponível em: https://andragogiabrasil.com.br/metodologias-ativas/. Acesso em: 25/04/2020.

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