O que escrever neste editorial em tempos de pandemia? Não queríamos que este texto fosse mais um lamento, assomando-se aos tantos que já lemos, ouvimos, proferimos… Não queríamos compartilhar temores, nem ansiedades, nem dificuldades, mas é impossível não fazer uma reflexão sobre a situação que vivenciamos neste período.
A pandemia de Covid-19 nos pegou de surpresa, se alastrou rápido e nos atingiu das mais diversas formas. Enclausurados em nossos lares (sorte que os temos e que assim podemos denominá-los) tememos pela nossa saúde, pela dos que amamos, pela dos que conhecemos e dos tantos que não conhecemos, mas, sabemos, são avós, pais, mães, filhos também. Tememos pela nossa situação econômica, pelas dificuldades que se desenham no futuro com tantas demissões, contingenciamentos, estabelecimentos empresariais e comerciais fechando as portas. Tememos pela situação política em que nos encontramos, que mais se assemelha a um cabo de guerra, numa disputa descarada por poder materializada em discursos e ações de sujeitos de ambos os lados. Nesse meio, seguimos como náufragos à deriva, sentindo-nos cada vez mais inseguros, descrentes e angustiados… Sim, 2020 mal começou e o cenário não é nada positivo. As dificuldades são de diferentes naturezas e precisamos nos reinventar o tempo todo para superá-las. Aliás, “reinventar-se” é a palavra de ordem nos dias atuais.
Mas, como diz o ditado, aprende-se pelo amor e pela dor. E, nesse sentido, a pandemia tem nos ensinado muito. Tem nos ensinado a conviver de forma diferente, a cuidar dos mais fragilizados, a ter paciência, a ser resilientes e compreender que somos TODOS limitados, imperfeitos, suscetíveis a erros, a cansaços, a frustrações… oxalá essa pandemia nos ensine, efetivamente, a darmos mais as mãos e criticarmos menos.
Entre as tantas lições, uma nos é peculiar: nunca em outro período se fez tão evidente a importância da escola e dos professores para a sociedade. Nada que nós não soubéssemos, mas havia muitos “desavisados”. Quantas vezes rimos (não perder o bom humor nesse contexto é uma dádiva) com posts de mães enlouquecidas porque precisam dar conta da casa, do home office e dos filhos que não estão na escola. Pais e mães estão angustiados porque não sabem o que fazer com as crianças quando precisam sair ou se isolar para trabalhar. Angustiados porque, além de pais, precisam ser professores, ajudando as crianças em tarefas que tampouco eles sabem realizar. A escola é, antes de tudo, um espaço essencial para o funcionamento da sociedade. É lugar de socialização, de cuidado e de aprendizado. E sem nós, professores, a escola não existe!
Como profissionais, temos nos desdobrado e aprendido muito com a necessidade de adaptar o ensino presencial à realidade virtual. Temos sido desafiados a buscar novas ferramentas, novas metodologias, novas formas de organizar as aulas para auxiliar o alunado na construção de conhecimentos. Sim, temos nossas limitações. Também somos pais, mães, filhos que cuidam dos pais, também adoecemos… o trabalho triplicou, o tempo escorre por entre nossos dedos e as ferramentas tecnológicas ainda são um desafio. Entretanto, imbuídos do comprometimento com a profissão que escolhemos, seguimos fazendo acontecer, nos reinventando um pouco a cada dia e dando o melhor em prol dos que contam conosco e confiam em nós.
Em tempo: as páginas que seguem são mais leves, mais poéticas, mais animadoras… dotadas de inspiração e criatividade de sujeitos que tanto nos orgulham: nossos graduandos e pós-graduandos de Letras!!
Uma boa leitura a todos!
Profa. Luciana Crestani – em nome da equipe Letrilhando