Há algum tempo, discute-se sobre a necessidade de atualização das práticas pedagógicas, a fim de cativar a atenção do estudante do século XXI, que já tem sua vida cerceada pela tecnologia. Algumas ações, ainda que um pouco restritas, já constituíam o ambiente escolar e se mostravam eficazes para a potencialização da aprendizagem. Porém, em março de 2020, de forma abrupta e lamentável, devido à epidemia do Coronavírus, professores de todo o mundo foram compelidos – e urgentemente – a usar a tecnologia em todas as suas atividades a fim de dar sequência às aulas, reinventando, com isso, sua forma de atuar no cenário educacional.
Nesse contexto, na Universidade de Passo Fundo, a troca de conhecimento entre os colegas docentes foi essencial para a inserção imediata de plataformas que antes eram pouco utilizadas, a exemplo do Google Meet, que garantiu o contato síncrono entre e com a comunidade acadêmica. E, como o tempo imaginado para o retorno das atividades presenciais foi ampliado, outras práticas precisaram ser pensadas e eis que, na aula de Prosa de Expressão Portuguesa, do Curso de Letras, uma atividade já programada de revisão para avaliação teve de ser adaptada. Para tanto, foi utilizada um recurso digital que não se apresenta como novidade para muitos docentes, o Kahoot, mas que, nesse caso, em uma aula a distância, trouxe divertimento e um pouco de emoção no momento de estudo.
A plataforma gratuita Kahoot, criada na Noruega no ano de 2013, é usada em várias partes do mundo e apresenta-se como uma efetiva ferramenta de aprendizagem com elementos de gamificação. Com ela, é possível criar questionários de múltipla escolha ou de “verdadeiro e falso”, que desafiam os “jogadores” a encontrar a resposta correta de uma pergunta dentro de um tempo pré-determinado; é, possível, ainda, em um modelo mais avançado (e pago) da atividade criar perguntas em que os participantes digitam a resposta correta ou em que é possível criar “nuvens” de respostas. Como parte da prática lúdica, também, a plataforma cria um ranking dos “vencedores”, ou seja, aqueles que se destacaram no processo – algo talvez desnecessário, mas que incentiva ao desafio e à superação. Para o professor, há outro benefício, que se refere ao feedback do desempenho dos alunos, o que permite monitorar possíveis dificuldades. Enfim, acessada facilmente por um smartphone, a plataforma oferece, por meio de princípios simples de jogo, aprendizagem, diversão, interação, além da quebra da monotonia, ônus da atividade a distância. Seguem, abaixo, significativos relatos de experiência de alguns alunos que participaram da atividade.
“Adorei a revisão dos conteúdos estudados por meio do jogo no Kahoot. Para mim, foi muito significativo e pude esclarecer minhas dúvidas de uma forma bem dinâmica e interativa. Eu e meus colegas, das nossas casas, pudemos descontrair e aprender ao mesmo tempo. O Kahoot é uma ótima ferramenta para ser utilizada na sala de aula, com alunos de diferentes idades e, no momento em que estamos vivendo, propicia a aquisição do conhecimento de modo diferenciado, desafiando e estimulando os jogadores”. (Gabriela Golembieski).
“Minha experiência com a plataforma Kahoot, na disciplina de Prosa de Expressão Portuguesa foi muito boa, apesar de não conhecer, e de nunca ter usado essa ferramenta, consegui de maneira muito fácil utilizá-la e achei muito interessante como meio de revisão de conteúdo, mediado pela professora. De forma dinâmica e também divertida, mostrou-se que é possível aprender, por meio da ferramenta, pois além de se tornar muito interessante no contexto acadêmico, ela estimula a aprendizagem de uma forma diferente e divertida”. (Pamela Caroline Banaletti).
“Devido às circunstâncias que nos encontramos, em que as aulas deixaram de ser presencias e se tornaram a distância com encontros onlines, para a revisão da disciplina de Prosa, ministrado pela professora Mariane, usamos da plataforma Kahoot. De início, foi solicitado, durante a vídeo aula, que cada aluno acessasse, pelo celular, o link do programa, ao logar, o discente deveria inserir o código que a professora liberou no meet e, logo estávamos no jogo. Foram testes de múltiplas escolhas, 80 mais precisamente, com conteúdo trabalhados em sala de aula, a docente liberava a questão e nós, alunos, obviamente, deveríamos marcar a correta. Cada acerto gerava uma pontuação, esse jogo, por mais que essa não fosse a ideia principal, se mostrou um tanto competitivo, pois cada vez que uma questão era encerrada o jogo gerava a mensagem: “faltam tantos pontos para você passar do fulano”, então sentia-se a necessidade de passar e ficar no top 5, era uma questão de honra. Foi uma experiência muito bacana, um meio diferente de relembrar o que foi ensinado, descontraiu e nos fez perceber, eu pelo menos, que sabíamos sim os conteúdos ensinados. Acredito que todos os meus colegas gostaram desta forma de revisar, eu adorei, e, também, pode ser um meio que os professores possam adquirir para usar dentro da sala de aula”. (Shaidi Carneiro).
Mariane Rocha Silveira