Produção de memórias

A produção de memórias é uma proposta da disciplina de Sintaxe I, a qual trabalha a partir de uma concepção funcionalista de língua, pautada nas relações entre discurso e gramática. Nessa abordagem, admite-se a liberdade organizacional do falante frente às restrições construcionais da língua. Os textos produzidos revelam as escolhas gramaticais dos falantes na construção de sentidos historicamente situados.

Memórias do Vinícius!

Dona Melania, mãe solteira de três, sempre foi uma mulher batalhadora que trabalhava em uma empresa de produtos alimentícios, tentando dar aos filhos o mínimo de conforto possível. Com uns 8 anos de idade, para não ficar sozinho em casa à noite, eu ia até a casa da senhora Oneide, uma vizinha de bairro que me cuidava até as 2h da madrugada, horário em que minha mãe saía do trabalho. Em uma dessas madrugadas sonolentas, sendo levado para casa, ouvi mamãe dizer que havia alugado um filme com uma colega de trabalho. O filme era O segredo dos animais, e eu, pequeno, fiquei tão feliz e ansioso para assisti-lo que minha mãe não resistiu e colocou para nós assim que chegamos em casa. Ela, cansada do trabalho, e eu, recém acordado, com aula assim que o dia amanhecesse. Mas isso não nos importou em nenhum segundo porque aquele era o nosso momento. Lembro-me da sensação de estar deitado no sofá, sentindo o amor da mulher que me deu a vida e que por mim  daria ela  novamente, a felicidade dela ao poder me proporcionar aquela uma hora e meia de alegria, mas que aquecera tanto o meu coração. Na tela da TV, o filminho de um boi que fazia de tudo para proteger seu filho dentro da fazenda. No sofá, uma mãe-pai que abraçava seu filho em um silêncio que dizia: eu te protejo, meu pequeno.

Vinícius Franzen, acadêmico do 5° nível do Curso de Letras

Memórias da Priscila! 

A Literatura sempre foi algo muito importante e presente em minha vida. Feiras do Livro, portanto, eram a felicidade dos primeiros passos de uma criança que estava iniciando seu percurso pelo mundo das palavras. Dessa forma, adentrei pelo bairro da Turma da Mônica, cruzei por Harry Potter e Percy Jackson nas ruas, e após um trajeto que durou mais de oito anos, cheguei ao condomínio de Margaret Atwood, Martha Medeiros e Valter Hugo Mãe. Com, obviamente, a frequente chegada de novos moradores. Se, dessa forma, frequentando as Feiras da cidade, me via tão feliz, a possibilidade de participação como artista – nos âmbitos mais diversos -, seria a realização de um sonho. Então, no check-list de fim de ano, que prometemos a nós mesmos que teremos a força necessária para alcançar nossos objetivos, tenho um a marcar como efetivado. No dia 01° de Novembro de 2019, primeiro dia da Feira do Livro de Passo Fundo, fiz uma contação de histórias no palco principal para mais de 200 crianças. O encontro, a energia e o reconhecimento são imensuráveis. É incrível estar lá em cima e olhar para o rostinho de cada criança que está ansiosa pelo que está por vir, que ainda conhece uma parte muito pequena do mundo, e que vê tudo com poesia e felicidade no olhar. Há menos de cinco anos eu estava no lugar delas. E, agora, poder estar no meu lugar, aberta ao mundo e às possibilidades, contando a história do “Homem sem sorte”, me fez perceber que eu sou a mulher com mais sorte nesse mundo.

Priscila Anita Stormowski, acadêmica do 5° nível do Curso de Letras

Memórias da Mariana! 

 

A infância é um momento mais bonito e despreocupado, só entendemos isso quando crescemos. A infância é o fundamento de nossas vidas. Pequenos, reagimos ao mundo de uma maneira diferente dos adultos: não nos adaptamos, não somos hipócritas, expressamos abertamente nossa opinião. Crescendo, começamos a avaliar o mundo ao nosso redor, de uma maneira diferente. Nos tornamos mais pragmáticos, não tão ingênuos; às vezes, nos tornamos indiferentes e egoístas. Mas o que é inerente a nós desde a infância permanece conosco para sempre. A tarefa de cada um de nós é fazer crescer as sementes do bem que foram plantadas por nossos pais, parentes, professores.

Minhas primeiras memórias de infância estão ligadas à minha mãe, a pessoa mais importante na minha vida. Me lembro de como passeamos no parque, tomamos sorvete, comemos doces. Sorrisos, bom humor, contos de fadas, brinquedos, doces é isso que a infância significa para mim. Me lembro também de como esperamos com toda a família pelo Ano Novo ou aniversários. Desde a infância, uma pessoa é acompanhada de férias que, com sua beleza, solenidade, tornam a vida mais brilhante, trazem diversidade e alegria para ela. Claro, minha infância está associada com os presentes. Eu ainda aprecio alguns deles, porque eles são queridos e importantes para mim como uma memória de diversão inesquecível e de dias felizes. Às vezes quando estou triste começo a arrumar meus brinquedos favoritos e conversar com eles como muitas vezes acontecia na infância. Pode parecer estranho para alguns, mas as lembranças de algo bom e divertido sempre me animam.

Me lembro de como eu, criança, fui feliz na primeira série. Já me considerava velha porque me tornei uma aluna. Fui escoltada por todos os meus parentes. Me lembro da primeira lição e das palavras da professora: «Olá, crianças!». E de lição para lição, de sala para sala, no cotidiano escolar, aprendi os mais altos valores da vida. Agora, vendo pequenos alunos da primeira série, lembro dos meus primeiros dias na escola e me comparo com eles. Eu também era tão inquieta, às vezes confusa e excessivamente curiosa. Eu queria brincar e relaxar mais do que me preparar para as aulas. Sim, e agora eu gosto de me divertir. Com que alegria infantil esperava o inverno e a primeira neve para jogar bolas de neve e andar de trenó. As crianças e os adultos adoram a neve! Eu ainda, como uma criança, acredito em milagres e no Papai Noel. Eu amei, amo e vou amar receber os presentes. Quando fiquei mais velha, percebi que as milagres podem ser feitos com suas próprias mãos. E é bom não apenas receber presentes, mas também dar-lhes. O presente é uma expressão de nossos sentimentos mais gentis. Sentimos grande alegria se uma pessoa gosta o nosso presente.

Cada um de nós tem lembranças diferentes da infância, mas nossa infância despreocupada, feliz e alegre nos une.  Qual será o nosso futuro? Quem seremos e o que seremos? É difícil dar respostas inequívocas a essas perguntas. O principal é se preparar para uma vida útil e interessante e sempre permanecer uma pessoa boa.

Mariana Smirnova, acadêmica do 5º nível do Curso de Letras. 

 

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