
Eu queria poder ser diferente do que sou hoje. Queria poder ser melhor. Mas não sou.
Estou preso neste prédio, à mercê desses sentimentos, refém de mim mesmo.
São tantas desilusões. Partes de mim que eu já não conheço mais.
Estou preso em mim mesmo durante esta pandemia. Não tenho a quem recorrer. Ninguém pode me ajudar.
Família, amigos, amores… Tantas vidas correlacionadas, tantos eus enclausurados.
E eu pensei que tudo seria diferente. Que minhas metas me levariam em frente, para mais.
Já não sinto mais o mesmo.
A quem eu quero enganar.
Preso neste quarto escuro, parte de uma cidade em decomposição, eu me lamento e grito e choro e penso e canto e morro. São tantos de mim reencarnando efemeramente.
Tudo o que eu queria era um clichê de Sessão da Tarde, não um blockbuster de destruição em escala global.
Mas eu penso em você. Sozinho também, chorando as suas dores, chorando pelos outros, os seus. Eu admiro isso. Mas não sou assim.
Esses momentos poderiam ser emoldurados em um vórtice temporal. Não são. São jogados fora, como lixo sentimental. Afinal, não sou eu igual a isso? Poeira no Cosmo.
Eu queria poder ser diferente, mas não sou. Este sou eu e você entende. Eu te entendo também. Você é igual a mim, mas diferente à sua maneira. Nós somos assim: uma geração defeituosa, egocêntrica, narcisista e louca. Nós somos assim. Mas não é sempre desse jeito? Nós sempre acabamos falando de maneira profunda, mas somos tão rasos. Somos seres arruinados em busca de salvação.
A quem eu quero enganar? Eu queria poder ser diferente.
Não sou.
Sou defeituoso.
Esse sou eu.
Mas eu sempre procuro ser melhor. Não é esse o desejo de todos?
Poesia de Lucas Mendonça Lobato Alves, estudante do V nível de Letras.