A escuridão que começou a nos cegar no início de um ano estranho ainda não foi embora. Apesar de esforços, discussões e buscas, permanecemos aqui, esperando por uma forma de acalmar algo que fugiu completamente de nosso controle! Para curar a saúde, para diminuir as mortes e para permitir a vida milhares de pessoas mobilizaram-se e trouxeram respostas. Sim, há luz no fim do túnel. Mas temores, sofrimento e mortes seguem enredando nossa rotina de limitações e distanciamento.
Num ano em que estar em casa deixou de ser uma possibilidade e se tornou necessidade, tudo que buscamos em meio a novas formas de aprendizagem e de trabalho também foi uma centelha de luz, de forma que pudéssemos respirar mais aliviados pensando que um futuro melhor, logo ali na frente, seria possível. Alguns podem ter chorado mais, pensado em desistir, mas algo ajudou a continuar, alguma forma de entrar em contato com um mundo que parecesse o menos anormal possível. Lemos um livro que esperamos tempo para começar, apenas para ter certeza de que existia uma vida “normal” ainda que fosse em páginas de papel pólen. Assistimos filmes para dar leveza aos dias que pareciam piores, maratonamos séries nos dias que só queríamos existir. Ouvimos músicas para acalmar e para chorar, para dar mais um sentido poético a toda essa loucura que se tornou viver em meio a nós mesmos.
Para acalmar e dar força, muitos escrevem e é exatamente disso que somos feitos nesta edição. Em meio a surtos e percepções, inspirados pelo mundo ao próprio redor e pensando além da simples existência é que diversos autores nos presentearam com textos literários produzidos durante a pandemia. Para quando tudo isso passar, a arte ficar. E para que, quando nos for permitido viver como antes, não nos esqueçamos do poder da arte enquanto forma de nos refugiar, de renascer e de encontrar paz.
Anderson Potrick – em nome da equipe Letrilhando