Malditos Sejam!

Ainda que sejam comemorados 40 anos da luta contra a violência contra a mulher. Infelizmente, vimos o numero de casos de violência contra as mulheres em meio ao cenário atual de pandemia crescer. Porquanto, neste breve poema autoral, apresento uma narrativa densa, obscura, refletindo a perversidade que se faz presente na vida de inúmeras vítimas de tais agressões

(Relato do autor sobre o processo criativo)

Como uma praga que rasteja sorrateira
entre as sombras dos arbustos nús
junto a obscuridade de seus perversos desejos
ele surge.
Das trevas noturnas
carregando a frieza em seu olhar,
que brilha feito gelo
na escuridão.
Seu silêncio, explosivo
dinamites em suas presas.
E a velha fúria já conhecida,
feito ondas de um mar em ressaca
vindo em sua direção,
renunciando as fortes correntes do seu pensamento
apocalíptico.
Cravando na sua carne,
suas insaciáveis presas.
Rasgando-a,
devorando sua alma,
raptando seu espírito,
deixando-lhe em bagaços.
Naquele beco, como um alma penada,
em meio ao sangue que jorra
de suas artérias adentrando
as falhas do cimento seco
feito lava de um vulcão
derretendo descaradamente
sua ilusória felicidade.
Malditos Sejam!
Aqueles que em um olhar mortal,
num olhar sem alma
disparam seus atos mais covardes.
Mantendo-a petrificada,
suas lágrimas cristalizadas e sua
voz quase inaudível
banhada de agonia,
naquele campo minado.
Malditos sejam!
Aqueles que a mantém refém dos pensamentos escabrosos,
refém daquela consciência falida,
das atitudes macabras
feito fortes chamas que se ateiam
em sua direção,
envolvendo seu corpo e
lhe tornando febril.
Malditos Sejam!
Aqueles que mantém os velhos costumes,
costurando sua boca
deixando seu peito aberto
ferido, oprimido.
Agora, sangrando todas as
verdades não ditas.
Transbordando o que
seco era engolido.
Malditos sejam,
esses que permanecem…


Texto por Aldair Marins da Silva, graduando do Curso de Filosofia da UPF.

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