Estudos da Sociolinguística de Contato no Brasil

Segundo estudos da sociolinguística, o Brasil é um país plurilíngue, formado por línguas de diversas etnias, tanto de seus povos de origem indígena, com mais de duzentas e setenta e quatro línguas autodeclaradas, como também por línguas de povos imigrantes, formando esses, um grupo de cinquenta e seis línguas. 

Mas não para por aí. O Brasil também é formado por línguas de comunidades quilombolas, comunidades ciganas, línguas de contextos relacionados à fronteira, que no caso do Brasil, em sua maioria de língua espanhola, comunidades de refugiados e, além dessas, línguas de sinais, que não se restringe somente à língua brasileira de sinais, mas também em língua indígena de sinais. 

Há, no Brasil, uma quantidade específica de línguas “autodeclaradas”. No entanto, línguas “oficializadas” existem menos. Atualmente são doze línguas, sendo oito indígenas e quatro de origem imigrante. Com o paralelo exposto, é possível percebermos a importância e a vastidão das línguas indígenas no país, pois até podem não formar o grupo de línguas mais faladas, devido a quantidade per capita de falantes, mas constituem, sem dúvida, o grupo de maior diversidade, havendo então o entendimento de que há mais línguas indígenas do que línguas imigrantes. 

Das línguas brasileiras de imigração temos uma em específico que se destaca no sul do país, o Hunsrückisch, que é uma variação do idioma alemão, introduzida pelos imigrantes e cultivada até o momento por comunidades descendentes desses. O idioma local também é valorizado na escola e ensinado de uma maneira que as crianças entendam que o hunsrückisch não é o mesmo alemão “standard”, falado atualmente na Alemanha, mas sim uma variedade dele, com características agregadas do português brasileiro e outros idiomas, indígenas e imigrantes.

Dos apontamentos acerca da sociolinguística de contato, fica evidente que o Brasil é um país de uma vasta diversidade de línguas, das quais sua maioria é indígena, e posteriormente imigrante. Os idiomas indígenas são maioria, no entanto, quem faz uso é minoria. Os idiomas estrangeiros são minorias, e quem faz uso é a maioria.


Marcelo Zanetti, 5º semestre do curso de Letras – Português e Inglês da UPF

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