A Doutora e ex-professora do Curso de Letras da UPF, Márcia Helena Saldanha Barbosa, acaba de lançar seu segundo livro de poesias intitulado “No faro das migalhas”. Em 2017, Márcia lançou o livro “Duas Fomes”, também formado por poemas. A autora contou um pouco sobre o processo criativo e as características do novo livro para a revista Letrilhando através de um relato pessoal:

“A criação dos poemas de ‘No faro das migalhas’, livro de minha autoria recentemente publicado pela editora Bestiário, teve origem, assim como no meu primeiro livro de poesia, Duas fomes (2017), em estímulos variados: uma notícia, uma fotografia, um filme, uma conversa, uma cena vista na rua, uma paisagem, uma lembrança, a leitura de um poema de outro autor… De forma particular, a difícil situação que estamos vivendo, provocada pela pandemia e pelo cenário político do país, gerou vários poemas. O livro fala do temor do contágio, do sentimento de desamparo que nos invade, das modificações que isso trouxe à nossa rotina, das inúmeras perdas que tivemos. E alguns poemas tratam de fatos que ocorrem simultaneamente à pandemia e que tornam essa realidade ainda mais pesada, tais como as queimadas no Pantanal, a devastação da Amazônia, o crescimento da violência contra a mulheres e os abomináveis casos de agressão motivados por racismo.
Tudo isso torna-se a faísca para a criação. Entretanto, o fato de me interessar ou me sentir provocada por algum tema nunca é motivo suficiente para que eu escreva sobre ele. Eu só começo a escrever quando aquele tema adquire concretude e surge para mim como sensação, em geral na forma de uma imagem. Se eu não tiver uma imagem, o texto que vai resultar do meu interesse não será um poema; será um texto de opinião ou o mero registro de um fato, por exemplo, mas não um poema. Eu já sei disso, então não forço o poema a ir para o papel antes que ele se faça presente como uma aparição. Depois disso, eu escrevo em qualquer lugar, em casa, dentro de um ônibus, numa fila de banco ou de consultório, sozinha ou cercada de gente, em silêncio ou em meio ao barulho, com ou sem interrupções, em geral usando caneta e papel, às vezes o celular. E, por fim, passo para o computador e reviso o poema várias vezes. Nessa fase, sim, preciso de silêncio e concentração.
‘No faro das migalhas’, tal como o livro ‘Duas fomes’, caracteriza-se pela presença de diferentes formas compositivas, com predominância do verso livre e das rimas que não obedecem a um esquema fixo. Os dois livros também têm em comum a diversidade de temáticas, entre as quais, a morte, a cena política contemporânea, as desigualdades sociais, o racismo, o machismo, e, por outro lado, os elementos que nos ajudam a sobreviver, que nos levam ao espanto e ao deleite, que provocam um alumbramento e nos permitem respirar durante o caos e a barbárie que estamos vivendo: a arte, as memórias da infância, o amor, as surpresas da paisagem que delira diante dos nossos olhos e também os pequenos prazeres cotidianos.”
À pedido da equipe, a professora do curso de Letras, Mariane Silveira contou um pouco sobre a leitura da obra: “Nesta coletânea, a palavra entrega-se à reconstituição de imagens que rodeiam a todos; imagens que, constantemente, definem e que são definidas; imagens que machucam, mas que também curam; imagens as quais poucas pessoas têm o desembaraço ou a habilidade de traduzir com clareza e precisão, como a autora o faz por meio de sofisticadas construções, as quais se revelam em migalhas poéticas.”. O restante da opinião de Mariane pode ser acompanhado na resenha do livro, também na revista Letrilhando.
Diante das belas palavras da autora Márcia Helena Barbosa, temos a certeza de que a obra é encantadora e muito necessária para a sociedade. Os temas são inspiradores, nos ajudam a refletir sobre a vida, a cultura e a sociedade. Já o comentário encantado da leitora Mariane Silveira, só aumenta as expectativas para uma ótima leitura. Um livro que fortalece a árdua busca por um mundo melhor. Esta obra merece toda a atenção e reconhecimento.
Texto escrito por Anderson Potrick e Flávia Milani, alunos do curso de Letras da Universidade de Passo Fundo