
Com uma vida de escritor que começou somente aos 49 anos, Josué Guimarães é lembrado pela UPF em 2021 pelo seu centenário de nascimento. Este que fez literatura não só com palavras, mas também com ações, nos faz lembrar da importância histórica de sua obra no cenário cultural nacional e regional e nos questiona: estamos fazendo tudo o que ele merece? Neste ano, a UPF tenta honrar sua dívida com o autor através de uma série de comunicações e relembra a vida e obra deste herói da Jornada Nacional de Literatura.
Josué morreu jovem e não deixou uma extensa bibliografia. Apesar disso, marcou sua época conquistando leitores com uma escrita casual, cheia de regionalismos, que não escondia os trejeitos típicos do sulista e que ao mesmo tempo tocava nas feridas abertas do Brasil da época. Josué atraía olhares fosse do público crítico, fosse do público descontraído. Comparado a escritores gaúchos populares como Érico Veríssimo e Scliar, ele deixou um legado que não pode se apagar da nossa história.
O apreço do autor pelo que é regional ultrapassou os cenários da ficção literária e tocou a nossa realidade mais próxima. Familiar à vida em Passo Fundo, a cidade é citada em sua obra e recebe o título de Capital Nacional da Literatura muito por conta da influência do escritor. Comprometido com a formação de leitores, ele foi o nome de destaque no surgimento da Jornada Nacional de Literatura e teve relações muito próximas com a UPF. Hoje, se o principal evento cultural regional, esperado por muitos alunos do Ensino Médio e Fundamental dos arredores de Passo Fundo, existe, é porque teve o dedo e a benção de Josué Guimarães.

Ainda assim, apesar da sua importância, a obra do autor não resistiu tanto ao tempo como as obras de seus grandes compadres literatos Érico e Moacyr. É muito comum encontrar quem sequer lembre do nome Josué Guimarães. Com isso em mente, a UPF realizou em 2021 o Colóquio “100 Josué (1921/2021)” entre 3 e 7 de maio e vem realizando mensalmente lives no Youtube com leitores, amigos e estudiosos do autor. A Universidade também abriga o Acervo Literário de Josué Guimarães (Aljog) com artefatos inéditos, obras inacabadas, correspondência e muito mais. Manter a memória viva desta figura é o mínimo que lhe devemos. Como não amar alguém que cria um personagem chamado “Xerloque da Silva”?!
Vale dizer, há muito que se conhecer sobre a vida curiosa do autor. Sua história deveria interessar não só ao universo acadêmico, mas também ao universo da divulgação. Ele era uma figura única, ativista político, comunista ferrenho, jornalista, tinha história de fugas do Brasil, perseguições e exílio político, relações com a China e a URSS. Até boatos (ou fake news) de que teria sido um espião da KGB fazem parte dos causos de sua existência. Com um percurso de vida que dá assunto para muito além de artigos científicos e publicações, dono de uma escrita tão cativante e popular, como pode uma personalidade como Josué cair no esquecimento? Josué precisa renascer com toda sua excentricidade.
Para conhecer mais Josué:
- Obras publicadas:
Os Ladrões – contos (Ed. Forum), 1970
A Ferro e Fogo I (Tempo de Solidão) – romance (L&PM), 1972
A Ferro e Fogo II (Tempo de Guerra) – romance (L&PM), 1973
Depois do Último Trem – novela (L&PM), 1973
Lisboa Urgente – crônicas (Civilização Brasileira), 1975
Tambores Silenciosos – romance (Ed. Globo – Prêmio Erico Verissimo de romance), 1976 – (L&PM), 1991
É Tarde Para Saber – romance (L&PM), 1977
Dona Anja – romance (L&PM), 1978
Enquanto a Noite Não Chega – romance (L&PM), 1978
O Cavalo Cego – contos (Ed. Globo), 1979, (L&PM), 1995
O Gato no Escuro – contos (L&PM), 1982
Camilo Mortágua – romance (L&PM), 1980
Um Corpo Estranho Entre Nós Dois – teatro (L&PM),1983
Amor de Perdição – romance (L&PM), 1986
- Infantis (todos pela L&PM):
A Casa das Quatro Luas – 1979
Era uma Vez um Reino Encantado – 1980
Xerloque da Silva em “O Rapto da Dorotéia” – 1982
Xerloque da Silva em “Os Ladrões da Meia-Noite” – 1983
Meu Primeiro Dragão – 1983
A Última Bruxa – 1987
- Abaixo você encontra o primeiro dia do Colóquio “100 Josué (1921/2021). No canal da UPF Virtual você encontra a gravação de todos os dias.
Texto escrito por Guilherme Alexandre da Silva, Graduando em Letras da Universidade de Passo Fundo