Estudar linguagem serve para que, afinal? O curso de Letras na VIII Semana no Conhecimento UPF

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Entre os dias 27 e 30 de setembro, a UPF realizou a 8ª edição da Semana do Conhecimento, evento tão esperado que teve como temática “A transversalidade da ciência e da tecnologia e inovação na solução dos problemas globais”. O objetivo do evento é mostrar ao público trabalhos de pesquisa e experiências de extensão realizados na Universidade que, de alguma forma, ajudam a resolver problemas globais. Foi produtivo demais!

O curso de Letras foi muito bem representado na Semana, juntamente com esta revista aqui! Lado a lado dos trabalhos que expuseram todo o potencial científico da Letras UPF nos campos da Teoria Literária e Linguística, o projeto de extensão da Revista Letrilhando expôs todo o seu potencial de popularização da ciência e da cultura na comunidade local. Fomos muito bem recebidos!

Foram muitos os trabalhos que chamaram a atenção. Todos com uma característica em comum: a preocupação com o avanço do conhecimento e da pesquisa nas ciências da linguagem.

Uma conversa com termos difíceis

Uma característica desta 8ª Semana do Conhecimento foi a interdisciplinaridade: trabalho das Letras, do Direito, da Arquitetura, Física, Filosofia e diversas outras áreas do conhecimento juntas em salas mistas. Combinações aparentemente improváveis, mas que trazem resultados positivos.

Quando questionado, Lucas, aluno do curso de Letras, disse que por mais que seja muito mais difícil assistir trabalhos de outras áreas –  “às vezes, não entendemos quase nada” – conexões são possíveis:

“Me fez pensar sobre outras áreas que podem se unir aos meus trabalhos. Um exemplo que posso trazer é uma pesquisa que falava sobre a Arteterapia com mulheres em situação de risco (como o consumo de álcool e drogas).”

E este contato já traz impactos positivos na percepção dos estudantes em fazer ciência. Gabriela, também aluna do curso de Letras, relatou que este contato com outras áreas do saber  “me inspiram a desenvolver trabalhos interdisciplinares nos espaços de ensino que atuarei”. O mesmo aconteceu com Lucas, ao conhecer a pesquisa sobre Arterapia com mulheres em situação de risco: “foi um trabalho muito lindo e que me fez pensar: o que essas mulheres têm a dizer? Como o campo da enunciação conseguiria abordar essas singularidades nos seus dizeres?”

É incrível notar como, uma vez rompida a barreira da ignorância sobre determinado assunto, o diálogo se torna possível e desejável. A ciência tem mesmo esta característica de não ser muito fácil de se entender de primeira. Faz parte do método e do rigor exigidos pela Academia. Contudo, são nessas oportunidades de comunicação com outros estudos que percebemos as infinitas possibilidades de produzir conhecimento a partir das ciências da linguagem em conjunto com outras áreas.

Mas se nós, das linguagens, sabemos como fazer ciência junto com outros campos, também sabemos fazer ciência individualmente. E uma ciência muito útil!

Uma ciência útil da linguagem

Os trabalhos apresentados na 8ª Semana do Conhecimento reiteraram a importância da cientificidade dentro e fora da Universidade. Diversos foram os trabalhos apresentados durante os quatro dias do evento. Dentre tantos, destacamos alguns elaborados por alunos do Curso de Letras. 

Intitulado: “Limpador de para-brisa dos trens: transferências analógicas de denominações na narrativa da criança”, o trabalho da aluna Gabriela apresentou construções metafóricas na narrativa infantil, evidenciando “o que é possível pelas experiências simbólicas da criança na linguagem”.

O aluno Lucas apresentou a pesquisa “Língua e sociedade: o interpretado e o interpretante”. Conforme o autor, o trabalho teórico tratou sobre “a relação entre eles (os campos) e de que forma poderiam possibilitar um ensino de língua portuguesa mais significativo” e acrescenta que o ensino “ajuda a interpretar a sociedade e interpretar a sociedade ajuda na construção de estudantes com um olhar mais crítico diante dos problemas nela existentes”.

Seguindo a perspectiva sobre o ensino, a aluna Chaiane apresentou o trabalho: “Construção de sentido no ensino e na aprendizagem de orações”, o qual tinha como objetivo “introduzir o percurso feito para construir sentido nas orações no curso de Letras e na educação básica”. A aluna destaca que esse trabalho pode “auxiliar professores na reflexão de suas aulas, possibilitando uma nova visão ao ensinar gramática, sendo mostrada a partir do discurso e não somente ensinando regras e classificações”.

Pesquisa premiada!

O trabalho de Gabriela, que é bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq, foi tão bem recebido pela comunidade científica que rendeu um prêmio para a aluna. Seu trabalho sobre as construções metafóricas e metonímicas que compõem as narrativas das crianças também foi apresentado em forma de pôster no XII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística.

Sob orientação da Profª. Dra. Marlete Diedrich, do curso de Letras da UPF, Gabriela transformou o seu trabalho em dança! “Para nossa surpresa, o trabalho foi contemplado na categoria Dance Linguística, o que me deixou extremamente feliz e grata por ter sido contemplada e por representar o curso de Letras da UPF”, conta Gabriela. 

Ao refletir sobre a importância da premiação no contexto do curso de Letras da UPF e também no contexto do fazer científico do Brasil de 2021, Profª Marlete diz:

Estamos atravessando um período muito difícil na educação superior deste país, com grande escassez de investimentos na pesquisa, especialmente, na área de Linguística, chegando-se ao absurdo de parte da sociedade duvidar do conhecimento científico, então este prêmio representa uma ponta de esperança no trabalho que humildemente tentamos fazer, independentemente das adversidades. Há de se destacar que estar na Universidade é isso: é ampliar os horizontes, correr riscos, expor-se mais, representar um grupo de pesquisa. No caso da bolsista em questão, todos esses desafios foram enfrentados durante a pandemia, o que se torna mais relevante ainda. Estamos muito felizes e cientes de que este prêmio aumenta nossa responsabilidade perante a sociedade.

Profª Dra. Marlete Sandra Diedrich (UPF)

Você pode assistir ao vídeo com a performance aqui:

E no site da Semana do Conhecimento (aqui) , bem como no canal da Semana, você encontra todos os principais conteúdos do evento. Sem dúvida alguma, foi um ano produtivo para a produção científica local!

Já estamos na expectativa para a próxima edição do evento!


Escrito por Guilherme Alexandre da Silva (Graduação em Letras da UPF) e Josiane Boff (Mestrado em Letras da UPF)

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