
É bela, também,
A folha amarelada
Pendente pelo nó
Ao pedicelo.
É bela porque ali,
Enroscada ao caule
Expressa-se o tempo
O tempo da crise,
Da queda, da mudança,
O tempo do estranho.
Ali mesmo,
Passado e presente,
Juntos,
Unidos pela relatividade
De seu próprio ciclo.
Contudo,
Uma gélida lufada a toca
E, o futuro inevitável,
Sempre em suspenso,
Torna-se presente, e,
O seu passado,
Mera lembrança de outrem
Estranhamente me questiono:
Terá feito o que queria?
Talvez nem tenha querido
Mas, certamente,
Foi querida,
Ainda que não soubesse.
Não que isso seja
Algo que se saiba,
Pois, quem realmente sabe?
Não é por isso que
Faltam palavras?
Trata-se de sentir,
Não de sentir a fria
E angustiosa solidão
Mas, de sentir o calor
Desse objeto celeste,
Cheio de energia,
Que modela o tecido
Da nossa alma.

Escrito por: Wíllian Scalco Pain, graduando do curso de História, 6º semestre, e-mail: 160889@upf.br.