Você já ouviu falar em afasia, uma doença que afeta a linguagem?

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No Curso de Letras, nas aulas de Linguística, a questão da afasia ganhou espaço nas discussões. O tema tem visibilidade na área a partir dos estudos de um dos grandes linguistas lidos no curso, Roman Jakobson. A afasia é uma doença definida como um distúrbio de linguagem que prejudica a capacidade de comunicação do indivíduo, podendo envolver deficiência na compreensão e expressão de palavras ou seus equivalentes não verbais.

Ninguém nasce afásico. Pode-se desenvolver o distúrbio após uma lesão cerebral, geralmente no hemisfério cerebral esquerdo, causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), um Traumatismo Cranioencefálico (TCE), um Tumor Cerebral, uma anóxia ou hipóxia cerebrais (ausência ou diminuição da oxigenação cerebral).

Roman Jakobson é um dos linguistas mais importantes do século XX. É este estudioso que explica, na obra Linguística e Comunicação, que os linguistas devem habituar-se com os termos e procedimentos técnicos da medicina acerca da afasia, caso queiram se aprofundar nesse assunto, submetendo os casos clínicos a uma análise linguística completa:

“Toda descrição e classificação das perturbações afásicas deve começar pela questão de saber quais aspectos da linguagem são prejudicados nas diferentes espécies de tal desordem.”  (JAKOBSON, 1976, p.23).

A combinação entre palavras e frases é relacionada automaticamente ao vocabulário, em que uma pessoa não afásica consegue criar contextos totalmente novos com as palavras que possui. Assim, um sujeito afásico não chega, muitas vezes, a usar a palavra específica pretendida, mas usa substitutivos. Exemplo disso é o que ocorre quando o afásico quer dizer a palavra garfo e acaba selecionando no sistema da língua as palavras faca, colher, talher…

Saber o tipo e a classificação da afasia não basta para conhecer e entender a linguagem do afásico, embora ajude a identificar onde se encontrarão suas maiores dificuldades. Um mesmo tipo de distúrbio pode ter características diferentes para cada indivíduo, afinal cada paciente é único e tem experiências de vida distintas em diferentes grupos sociais. 

Há quem evite conversar com o afásico e prefira falar com seu acompanhante, como se ele não estivesse presente. Entretanto, é muito importante que o médico oriente a família a não fazer com que o paciente se sinta excluído, lembrando que ele não deixou de ser inteligente, apenas não consegue expressar corretamente o que pensa. 

Certos conhecimentos – o tipo de afasia, a localização da lesão – são importantes, mas não são suficientes para dar conta da linguagem na interação com a pessoa afásica. Tendo em vista a dificuldade do afásico em se expressar corretamente, há maneiras de ajudá-lo. Uma dessas maneiras é esperando a conclusão de suas ideias bem como o encontro da palavra adequada para se comunicar. É preciso entender que o afásico se expressará como for possível, com palavras, gestos e imagens, podendo também, trocar ou não os nomes de familiares, objetos e ações comuns de seu cotidiano. Tempo e escuta são fundamentais para a interação com qualquer pessoa!

Comumente, com o intuito de tentar ajudar o afásico a realizar a comunicação, as pessoas sugerem palavras que nem sempre terão relação com o que, de fato, deve ser manifestado e por isso o cuidado com expressões e gestos fazem a diferença dentro do contexto.  Formular frases curtas e diretas, com tópico determinado e informações relevantes facilitam a compreensão, assim como modular o tom de voz de uma forma tranquila e articulada. Tudo ajuda! Essas pessoas podem e devem ser incentivadas a usar todas as formas de comunicação disponíveis além da fala, pois a linguagem não. É importante que o interlocutor do afásico tenha paciência e calma para saber esperar e interagir, falar por ele ou tentar mudar de assunto. Assim, a comunicação será mais fácil. Empatia significa saber se colocar no lugar do outro. 

“nós temos a mente normal! … as pessoas não sabem disso… acha que nós temos deficiência mental! Afasia não é deficiência mental!”

Para conhecer mais acerca das questões linguísticas envolvidas, sugere-se ver o vídeo de Hamilton, um paciente afásico respondendo à seguinte pergunta: “O que é afasia para você?” O vídeo encontra-se disponível em:

 
Escrito por: Diana Elisandra Buscke Pains, Eduarda Becker de Castilhos e Nicóli Tombini Schiefelbein.

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