o pó do fogo

eu estava num jardim de rosas. das minhas rosas, cultivadas com minhas lágrimas. no céu, o alvorecer me acalmava e me acolhia com seus tons de roxo e rosa. o sereno da manhã congelava o caos infernal da minha mente. a praia, mais à frente, se espreguiçava conforme o sol nascia lá longe, no fundo do cenário. as ondas dançavam como sereias, me encantando a cada movimento. o vento corria livremente pelas flores e levava consigo o pólen e o meu choro. eu estava cansado – o eu lírico não sabe o motivo de tal exaustão. as rosas, vermelhas, da cor do sol, da cor do meu sangue, da cor do fogo que as queimavam, retornavam ao pó. o fogo crepitava ao meu redor e me acolhia com sua energia. minhas rosas estavam em brasas. eu estava em brasas. o fogo segregava minhas células. tudo o que eu via ao meu redor era o vermelho,

o vermelho das rosas
da cor do sol
da cor do meu sangue
da cor do fogo
que me renascia

no fim, tudo o que restou foi pó. o pó de mim e de minhas rosas.


por r. junior
acadêmico do curso de Letras – UPF, 1° semestre
escritor (poesia, romance, distopia e literatura jovem) e estagiário
e-mail:
rudirisso45@gmail.com; 183207@upf.br

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