Um universo de possibilidades por trás da língua e da linguagem

É fantástico o poder das línguas e da linguagem. Parece algo óbvio, mas não é, pois muito pouco se pensa acerca disso e seleto é o número de pessoas que o faz. Todavia, quando, por algum motivo, as pessoas começam a adentrar em conceitos mais amplos de língua e linguagem, dificilmente não se encantam, não se perguntam como ainda não tinham olhado com lentes mais críticas, mais aguçadas para essas “ferramentas” utilizadas tão frequentemente – e muitas vezes desvalorizadas. Pode-se dizer que isso ocorre com um ou outro estudante do primeiro nível de algum curso relacionado com a área das Linguagens. 

Cada língua é uma interpretação do mundo, ou seja, cada uma delas categoriza o mundo a seu modo; no Inglês, há um signo para nomear um suíno vivo: pig, e outro totalmente distinto para nomear um suíno morto: pork (FIORIN, 2002). Esse exemplo serve para refletir, para comparar, já que a Língua Portuguesa é uma língua que utiliza apenas um signo para nomear um suíno vivo ou morto: porco.

As linguagens, sejam elas orais, de sinais, escritas, etc. proporcionam ao homem um poder enorme. Basta mencionar um modo pelo qual os portugueses dominaram os indígenas: através da imposição de sua língua. Os primeiros, dessa forma, foram desapropriados de sua cultura; porque uma língua carrega, sim, a cultura do povo que a fala. 

Sobre o acordo que há entre falantes de um certo idioma, ele é essencial, mas isso não significa dizer que os signos desse idioma possuem os mesmos significados para todos os indivíduos. Isso se encaixa, principalmente, quando se trata de experiências individuais subjetivas; é quase como dizer que cada pessoa possui uma certa particularidade em seu modo de expressar-se através da linguagem, da língua, ao passo que ninguém pensa nem se expressa igual a outra pessoa.

Ainda vale mencionar a infinidade de mundos que a linguagem, que as línguas são capazes de criar. Tantos escritores que escrevem sobre tantos mundos, com tantos elementos que só existiam na mente deles, dos escritores, antes de publicarem suas obras. Elementos inimagináveis para os leitores, antes de realizarem a leitura. E há tantos outros mundos de coisas inimagináveis, formados nas mentes das pessoas, graças à linguagem. E eles estão ansiosamente esperando para serem externados, por meio dela mesma, da linguagem.

REFERÊNCIA

FIORIN, José Luiz. Linguística? Que é isso? 1ª. ed. São Paulo: Contexto, 2013.


por Cyntia de Miranda Paludo, Letras-Português e Inglês, nível I

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