Um intercâmbio entre Letras UPF e Polônia

O intercâmbio chega para todos. Apoliana da Rosa Lorençon e Vanessa Scolari realizaram este sonho entre outubro e novembro de 2022. O destino? Polônia! Nesta entrevista, fizemos algumas perguntas para as alunas da Letras UPF sobre sua experiência fora do país.

Apoliana e Vanessa são alunas do oitavo semestre do curso e vão nos contar como conseguiram esta oportunidade, quais foram os aspectos culturais que mais chamaram sua atenção, entre outras curiosidades sobre o estágio internacional.

Como surgiu o interesse em participarem deste programa?

O desejo de fazer um intercâmbio já estava em nós, era um grande sonho, assim como uma meta de qualificação profissional, para as duas, mas vimos que essa seria uma ótima oportunidade depois que participamos de um encontro, em junho deste ano, com a professora Luciane Sturm, no qual soubemos sobre a possibilidade de realizarmos um estágio de Língua Portuguesa na Universidade Marii Curie-Skłodowska, em Lublin – Polônia. A partir daí, com o apoio da Assessoria Internacional da UPF, do Curso de Letras e da professora Luciane Sturm, começamos a organizar os documentos necessários para concretizar nossa viagem.

Que tipo de atividade vocês realizaram em Lublin? Qual era o dia a dia de vocês?

Durante os dois meses em que ficamos em Lublin, estivemos comprometidas com as aulas do estágio e os eventos proporcionados pela UMCS e pelo Centro Camões de Língua Portuguesa. Assim, nosso dia a dia se adequava às atividades das quais devíamos participar. Em geral, o estágio acontecia entre 8h da manhã e 4h da tarde. 

Realizamos um estágio curricular não-obrigatório, ou seja, ele não está previsto em nosso currículo, logo, é opção do estudante fazer esse tipo de atividade. Mas, consideramos muito relevante para nossa formação, principalmente, por ter sido feito em outro país.

Nosso estágio foi desenvolvido em um curso de graduação (formação Linguística em Português/Polonês), semelhante ao curso de Letras, mas que não forma professores de línguas, obrigatoriamente. Inicialmente, observamos as turmas e participamos das aulas de Língua, Linguística, Tradução, Literatura e Cultura Brasileira, com as professoras Barbara Hlibowicka-Weglarz e Natália Klidzio e também com os professores Ricardo Rato Rodrigues e Lino Matos. Após essa etapa, passamos ao planejamento das aulas, conforme o que os professores da UMCS nos solicitaram. Tínhamos alguns planos e conteúdos selecionados que preparamos antes da viagem a Lublin.

A orientação do estágio foi feita pela profa. Luciane Sturm, sendo que mantínhamos contato, quase que diário, por mensagens de texto e emails. Como não tínhamos experiência em ministrar aulas de português para falantes de outros idiomas, então, todo o processo foi totalmente novo para nós, e aprendemos muito com tudo isso.

Quando não estávamos em aula, mantivemos nossa rotina de estudos, realizando as atividades das disciplinas aqui da UPF. Além disso, nos finais de semana conseguimos nos organizar para visitar outras cidades e pontos turísticos pelas terras polonesas e também alguns países vizinhos: Alemanha, Áustria e Eslováquia.

Falando em custos e despesas, o que podem contar para outros estudantes que desejam realizar um intercâmbio acadêmico? 

A realização do estágio em si não teve custo nenhum, pois a UPF mantém convênio com a UMCS. Dessa forma, estudantes que desejam estudar naquela Universidade ou fazer um estágio como o nosso não terão esse tipo de despesa.

As nossas despesas foram com passagem de avião e trem, estadia e alimentação, sendo que nos hospedamos nos dormitórios da própria UMCS e pagamos um valor mensal de 525 zloty.

Em relação ao custo de vida em Lublin, podemos dizer que não tivemos grandes problemas com isso, já que por ser uma cidade relativamente menor, os preços são mais justos e acessíveis do que na maioria das outras cidades que visitamos e até mesmo de alguns locais do Brasil.

Vale ressaltar que a moeda polonesa tem valor similar ao real brasileiro, sendo que um zloty polonês equivale em média a 1,20 real brasileiro, o que torna a viagem muito mais acessível.

No sentido educacional, e também mais amplo, vocês conseguem perceber grandes diferenças culturais entre a sua experiência no Brasil e na Polônia? Houve alguma grande surpresa nesse sentido?

Claramente há muitas diferenças culturais entre Brasil e Polônia: o modo de vida, a economia, a alimentação, a vestimenta e, é claro, a educação. Nos chamou grande atenção por alguns fatores discrepantes do Brasil, o estímulo à educação, isto é, percebemos que não apenas na Polônia, mas em toda a Europa, os estudantes recebem grande apoio governamental para estudar, fazer intercâmbio, aprender novas línguas, sem que isso lhes custe muito dinheiro, o que consequentemente resulta em melhores resultados em todas as áreas. Além disso, outro ponto que merece destaque é o cuidado que esses povos têm com seu passado, pudemos perceber que a preservação da história, dos marcos históricos e de documentos antigos é de interesse e objetivo de todas as pessoas, portanto, conhecemos muito dessa história pelos museus, centros culturais e pelas próprias cidades.

Nesse tempo em Lublin, o que vocês mais gostaram de conhecer? E da experiência como um todo, o que foi mais enriquecedor?

Estar em outro país, em outro continente, vendo tantas coisas novas e diferentes é absolutamente fascinante. Poder falar sobre os costumes brasileiros com os poloneses, conversar sobre futebol com os portugueses, sobre culinária com uma amiga georgiana, conhecer (e brincar) na neve, viajar de trem e metrô de um país a outro, conhecer tantos pontos turísticos e marcos históricos, ver de perto um campo de concentração de Judeus, enfim, nossa visão de mundo e conhecimento cultural se ampliam muito numa experiência como essa.

Entretanto, dentre as tantas maravilhas que pudemos conhecer e experienciar, o mais enriquecedor foi estar em contato com tantas pessoas de tantas nacionalidades diferentes – poloneses, ucranianos, portugueses, alemães, turcos, italianos, mexicanos – e estabelecer com eles uma relação amiga e de muita cordialidade.

Como vocês acham que esta experiência deve impactar na sua carreira aqui no Brasil?

Esse estágio foi uma experiência enriquecedora em nossa formação como profissionais da educação; um momento singular e muito marcante em nossas vidas. Notoriamente, estagiar na UMCS foi uma experiência absolutamente única para nós, já que colocamos em jogo tudo que aprendemos ao longo da graduação, e ainda, contribuiu para que pudéssemos ampliar nosso conhecimento acerca do ensino de língua portuguesa para falantes de outros idiomas (como língua adicional). Saber que a nossa língua é ensinada na Polônia e em vários outros países da Europa é algo que dá orgulho e que motiva estudantes da nossa área. É mais uma área em crescimento, com um bom grau de empregabilidade.

Outro ponto a destacar é o fato de que saber inglês para estar na Polônia e em outros países que visitamos é primordial. É por meio do inglês que grande parte das pessoas se comunicam nesses países, pois idiomas como ucraniano, húngaro, polonês, alemão, russo, entre outros, não são comuns a todos.

Para aqueles colegas que têm esse desejo de realizar um estágio ou intercâmbio na Polônia, ficamos à disposição para auxiliar no que for possível.

Agradecemos à Revista Letrilhando pelo espaço!

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