A Literatura como parte da vida: a trajetória artística de Danilo André Gregory

Danilo André Gregory é natural de Rodeio Bonito/RS e mora em Frederico Westphalen/RS. Além de escritor de literatura infantil e infanto-juvenil também é cantor, compositor, diretor, dentre tantas outras tarefas. Tem 4 livros publicados: “A Turma do Rio”, “A Enchente”, “Linda, a Bruxa” e “Travessuras do Maneco” e lançou 3 CDs e 1 DVD, todos na área infantil. É idealizador e fundador de diversos projetos culturais. Atua  ministrando oficinas artísticas, desde 1996, em escolas e eventos municipais. Entre títulos e honrarias, foi Destaque Cultural no projeto Palcos do Rio Grande, título conferido pelo Governo do Estado. 

Com esta entrevista, seremos convidados para uma jornada encantadora pelo universo da literatura infantil, onde a vida se revela como um convite irresistível para brincar e aprender.

LETRILHANDO ENTREVISTA: O DANILO ANDRÉ GREGORY

Bibiane: Como você entrou nesse ramo da arte e da literatura? Eu gostaria de saber mais sobre sua trajetória artística.  

Danilo André Gregory: Desde criança eu não lembro de mim pensando em outra coisa. Eu não tinha em mente outra coisa para fazer da minha vida. A gente nasce assim. 

Bibiane: Como foram os primeiros contatos com a arte quando você era criança e como isso seguiu na adolescência e vida adulta?

Danilo André Gregory: Na época, eu morava no interior. O violão eu aprendi no boteco da minha mãe, vendo um cara tocar. Eu fui muito autodidata nessas coisas, porque eu não tinha dinheiro, não tinha onde fazer curso, tanto que eu fui entender a minha paixão pelo teatro um pouco mais tarde. Para mim, a música sempre vinha com melodia, mesmo antes de saber tocar. Estou de acordo com um ditado: “faça da tua vida aquilo que não é sacrifício para você, senão você vai estar se sacrificando a vida toda”. No oitavo ano, eu fiquei muito isolado em casa, fechado num quarto, onde eu estudava, fazia música, escrevia peças. Eu imaginava aquilo sendo interpretado, sendo levado a grandes lugares, a grandes teatros. Então eu fui para Porto Alegre, tentar ser artista. Mas não consegui nada, só um teste, para atuar num grupo de teatro que era o “Paitrocínio”. 

Bibiane: Neste momento, além de atuar você também estava escrevendo?

Danilo André Gregory: Escrever esteve presente o tempo todo, como peça de teatro, como música.  Tanto que o meu primeiro livro, “A Turma do Rio”, entrou com um disco. Eu tinha feito um disco, que foi o primeiro do Bombom – um personagem que animava festas e eventos. No disco “Cada Vez Mais Alto Voar”, eu comecei a pensar: tenho muitas peças de teatro escritas. E se eu transformar uma em um livro? E a literatura é isso, é essa mistura. Eu não consigo separar o que eu escrevo de peças, o que eu escrevo de música e o que eu escrevo de livros. É uma escrita, sabe?

Bibiane: Vamos focar no teu último livro, “As travessuras do Maneco”, pela grandiosidade que ele alcançou em  nível do estado, pois foi contemplado no edital de Concursos FAC Publicações. Você poderia descrever como foi construí-lo, de onde saiu a inspiração, o que ele tem diferente dos outros livros que você já produziu? 

Danilo André Gregory: Foi a última apresentação que eu fiz com a minha mãe, era uma peça de teatro. Aconteceram várias coisas, mas no meio fiz uma esquete pra mãe fazer comigo, eram “As Travessuras do Maneco”. Nós nos apresentamos juntos, aquela foi nossa última vez juntos no palco. Então fui embora, estudei teatro, fiz outras coisas. Os grupos viajavam, mas minha mãe não ía. Um dia eu tive uma inspiração enquanto caminhava na chuva. Pensei em uma homenagem para minha mãe, e já estava tudo quase pronto na minha cabeça. 

Bibiane: E a concretização do projeto? 

Danilo André Gregory: Estava começando a pandemia. Aí eu não vendi  praticamente nada da “Linda, a Bruxa”, meu livro anterior. Eu tinha cinco feiras de livro que foram todas canceladas. A tiragem que eu fiz foi de três mil livros e eu achei que não era hora de fazer mais um livro para estocar aqui em casa. Mas eu não consigo parar de produzir, porque é uma coisa que vem; aí eu vi o edital FAC Publicações, que seriam selecionadas as obras que para serem publicadas com o apoio do Governo do Estado. Eu me inscrevi, mas não acreditava que seria contemplado, pois sempre fiz tudo por mim mesmo. Assim, surgiram “As travessuras do Maneco, uma obra de resgate do folclore popular”, porque foi resgatada muita coisa, as músicas daquela época, e tudo foi focado na minha mãe. Porque minha mãe ouvia, então a inspiração sempre veio dali. 

Bibiane: O diferencial do Maneco é justamente que são você e sua mãe como personagens principais em fotografia no livro interpretando. 

Danilo André Gregory: Eu não sei de onde veio essa inspiração. Mas a gente (minha mãe e eu) fizemos toda ilustração de casa. 

Bibiane: Você pode falar um pouquinho da live de lançamento? 

Danilo André Gregory: A live era uma das metas que eu precisava cumprir, era uma das ações do plano de trabalho. Então foi preciso fazer a transmissão com a gente interpretando. Os atores do grupo “Os Novos, Loucos Poetas” e os músicos do “Serenata Show” entraram em cena. 

Bibiane: E essa live está disponível agora no teu canal do YouTube. Então quem quiser prestigiar o lançamento pode acessar www.YouTube.com/daniloandre. Depois desse último lançamento, você continua na divulgação dos teus livros? De que maneira você faz isso? 

Danilo André Gregory: Isso, além da live, em feiras de livro, em apresentações de prefeituras, escolas, shows. A arte está constantemente sendo criada, nunca está pronta. E essa é a maravilha da arte, não é? A constante criação. Ela sempre está em movimento. 

Bibiane:  Fale mais sobre a “Contação de História com Música”.

Danilo André Gregory: A “Contação de História com Música” é próxima do público, é você no meio do público, são as crianças no meio da história. Aí eu vou contigo (Bibi), a gente faz este espetáculo. Esse trabalho, de que você participa como baterista, deixa tudo mais bonito, com mais movimento. Então é muito legal, porque as crianças participam de forma plena da história o tempo todo. 

Bibiane: Certo, agradeço a tua disponibilidade para a entrevista e saiba que você é uma peça muito importante, não só para as pessoas próximas, mas para a cultura geral do Rio Grande do Sul. 

Danilo André Gregory: Sou feliz por poder fazer o que eu amo! Eu não conseguiria fazer sozinho, então acho que é isso. Tenho muita gratidão por tudo, as pessoas certas que eu encontrei na jornada e que me levaram a estar neste lugar que me faz tão feliz!

Por Bibiane Trevisol e Rafaelly A. Schallemberger, doutorandas em Letras do PPGL UPF.

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