Esmagado pelo seu túrbido sorriso

Sinto tua falta.
Falta daquelas coisas que nos davam minutos de alegria
Quando teus problemas eram meus problemas, mas
Meus problemas continuavam como eram

Lembra como costumávamos dormir ao mesmo tempo?
A lenta corrida que guiava o pensamento de ambos
O calor que sentíamos, mesmo a milhas de distância
O calor que nos iluminava. Tu lembra?

Enxergo tua silhueta, rejeitada pela própria mente
Esvaziada pela própria realidade
E teus olhos despedaçados
Esmagados pelo seu túrbido sorriso

Não posso destruir minha vida sem você
Sem teu suor. Sem teu moletom desbotado
Sem nosso cínico e embaraçoso acaso
Sem meu absoluto desejo pela tua inconstância

É impossível continuar aqui sabendo que
A todo dia, a todo momento
Você não me quer por perto

Mas quando decido me retirar
Soprar minhas ambições pra longe
Teu corpo encobre minha descarga de esperança
E teu rosto fica ao lado do meu pela primeira vez

Então, por um momento
Depois de anos tentando
Meu desajeito se endireita para longe desse amontoado de culpa
E finalmente me sinto seguro.


Gabriel Maia, acadêmico do 1º nível do Curso de Letras.

Deixe um comentário