Hoje pensei na subordinação das coisas, nos processos os quais são
obrigadas a seguir, a ordem, a obediência, os mandos e desmandos da
natureza. Como é intrigante pensar que é possível que haja coisas impossíveis,
como cada coisa possui seu lugar, seu quadrado, sua ordem natural. Como é
interessante flagrar-se de que há somente um pequeno grupo de seres que são
superiores a estas leis, que, por algum motivo, foram dispensadas deste
serviço pavoroso que é seguir a ordem, seguir as regras.
As palavras, estes seres fascinantes que criam, verbalizam e
comunicam. As palavras, ah, as palavras. Fazem e desfazem, organizam seus
mundos como quiserem, multiplicam-se na velocidade da luz, criam novas
palavras, palavras que, mesmo sem existirem, já possuem sentido, afinal, elas
não precisam de sentido para existir, pois são elas as grandes fornecedoras
deste grupo mercantil.
As palavras, ah, as palavras, guardiãs do poder da criação,
insubordinadas perante o próprio Deus, desobedientes e indomadas vão
vivendo com a esperança de nunca haver alguém que um dia irá pará-las.
Por Natália Borba Gomes