Sobre Mim e Mario

Mario Quintana, hoje falo de ti
Porque costuras a minha história.

Foi no dia em que me apresentaram aquele evento,
Jornada(inha) Nacional de Literatura.
Literatura que já habitava meu peito, que já havia me cativado há anos.
Perguntei à professora:
O Mario Quintana vai estar lá?
Eu tinha dez anos.
E ela me respondeu o óbvio, que não.
Nasci em 2006.
Que chances tive de te ver em pessoa?
Nenhuma.
Mas não me convenço fácil assim.
Lembro-me de folhear teus livros em busca de minhas respostas
Que respostas eram essas?
Afinal, eu tinha dez anos.
Buscava minha individualidade, nascente, em tuas palavras.
Porque em um mundo cheio de números,
E a retórica da vida, quem entende de números entende de futuro!
Onde ficam os que não se contentam?
Foi minha pergunta.
Foi então que eu vi nas suas letras
Que eles passarão
Mas você e eu, Mario,
E todos os humanos inexatos,
Passarinho.

Agora eu tinha já dezessete,
Alguns anos de admiração correram,
E eu já disse, não me convenço fácil assim.
Fui até seu lar,
E vi de perto o teu cotidiano.
Tantos anos depois, naquela casa em Porto Alegre,
Os quadros, os livros e a vida,
Parada, esperando pelas fotografias.
Eu te via nos objetos e as lágrimas me escorriam.
A beleza e a emoção ainda estavam intactas.
Os dilemas, as coisas da vida.
É presunção me ver ao teu lado?
Pois também me vejo no teu “Autorretrato”.

Às vezes, estou no colégio,
E teu nome surge em meio a tanta gente que a gente estuda.
Uma alegria me comove,
Meus “eus” se abraçam,
Volto a ter dez anos
E pergunto à professora:
O Mario Quintana vai estar lá?
E “até que enfim se desenrola
Toda a corda
E o mundo gira imóvel como um pião!”


Por Isabella Giacomini De Carli, aluna da 3ª Série do Centro de Ensino Médio Integrado – UPF e bolsista de Pibic Jr

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