O Telefone

No canto da sala, um telefone repousa, um portal
para vozes, em uma casa cheia de prosa.

Pessoas vêm e vão, com histórias para contar, no
telefone, elas encontram um lugar para falar.

Escondido atrás da parede de madeira, uma criança
curiosa, à espreita, à beira.

Ouvidos colados, tentando descobrir para onde
essas vozes vão se dirigir.

A imaginação viaja, como um trem em movimento,
atravessando cidades, sem um momento. Paradas
em lugares bonitos, em cartões postais.

Cada ligação, uma viagem, entre tantas outras
iguais. O telefone toca, a casa se anima, uma nova
história começa, a curiosidade se estima.

A criança sorri, a imaginação a mil, no telefone da
sala, o mundo está ali.

A noite cai, a casa adormece, mas a criança ainda
escuta, a curiosidade não esmorece.

As vozes no telefone, como um farol no mar,
iluminam a escuridão, fazem o coração acelerar.

Cada palavra dita, cada riso compartilhado, no
telefone da sala, o mundo é retratado. A criança
sonha, com lugares distantes,

O telefone, uma janela, para instantes brilhantes.
Quando o sol nasce, um novo dia começa, a casa
desperta, a rotina se expressa. Mas a criança sabe,
que quando o telefone tocar, novas histórias virão,
para a imaginação alimentar.


Felix Elias Cardoso Quintus – formado em Pedagogia pela Universidade de Passo Fundo e atua como professor de Educação Infantil.

Deixe um comentário