A literatura me atingiu

Não quando escolhi o curso de letras naquele site

Não quando a aprovação chegou

Não foi nem nos momentos óbvios, como o primeiro dia de aula

A literatura me atingiu, em momentos que eu não previ, ela chegou assim, de mansinho, como quando a gente é criança, dorme no sofá, e sente um cobertor sendo posto sobre nosso corpo, conforto

Ela me atingiu quando, o mundo parecia grosseiro demais, e ela parecia a única coisa suave a me escorar

Quando um professor proferiu “A literatura é o sonho de olhos abertos” e aquele sentimento de realização e certeza, me correu o peito

Quando a melancolia da partida, proferida em conto, performada como um encontro, molhou meus olhos, minha toalhinha branca, meu caderno de romance, aquelas historinhas que escrevia e me refugiava quando criança, a minha infância inteira

Molhou, e talvez tenha respingado um pouco demais no passado

Eu poderia escrever que a literatura me atingiu num momento exato, que ela se realizou num acontecimento, num tropeço

Mas isso seria inverossimilhança, a literatura sempre esteve comigo, ela sempre foi o berço, onde minha infância pode ninar em segurança.


por Grazieli Ceccatto Marcolan, 2° Semestre de Letras

Deixe um comentário