Linguagem e Linguística¹

Por ser um tema complexo, a linguística exige um entendimento um pouco mais contextualizado acerca de sua definição. Sabemos que definir conceitos não é algo fácil, pois existem fatores multifacetados que cercam tais concepções. Portanto, pode-se imaginar quando se escuta a palavra “linguística” como sendo o estudo da gramática, mas não, pois não abrange regras exatas e definitivas. Dado isto, o papel da linguística não é normatizar, é descrever, portanto não vamos achar elementos de correção ou de como tal sentença deve ser, pois essa função é da gramática prescritiva. Logo, podemos dizer, que essa ciência tem por objeto a linguagem humana em seus aspectos fonético, morfológico, sintático, semântico, social e psicológico.

Neste momento, é importante diferenciar língua de linguagem pois o primeiro termo se refere á um conjunto de palavras organizadas por regras gramaticais e o segundo é um sistema de sinais linguísticos, ou seja, é a capacidade que os seres humanos têm para compreender a língua e outras manifestações, como a pintura, a música e a dança. Decifrado isso, compreendemos que a linguagem é a troca que os seres humanos fazem. Ela é um produto social, pois não existe linguagem em apenas um indivíduo. É interessante frisar, também, a parte psicológica desse grande sistema no qual a linguagem só é possível através das chamadas sinapses, que são neurônios que enviam mensagens para um neurônio alvo – uma outra célula. Adquirimos elas por meio das experiências que temos com imagens, logo, associamos as imagens às palavras, suas definições, por assim dizer. Dessa forma, é comprovado afirmar que a linguagem é uma maneira de perceber o mundo. É através dela que as palavras servem para categorizar o mundo. Por exemplo, se uma pessoa pedir para alguém não pensar em um urso branco, apesar do termo negativo “não”, o indivíduo irá sim pensar em um urso branco, pois o simples entendimento do significado dessa palavra já a associa diretamente com a imagem de um urso branco. Logo, o ponto de vista cria o objeto.

Se pudéssemos abarcar a totalidade das imagens verbais armazenadas em todos os indivíduos, atingiríamos o liame social que constitui a língua. Trata-se de um tesouro depositado pela prática em todos os indivíduos, atingiríamos o liame social que constituída fala em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade, um sistema gramatical que existe virtualmente em cada cérebro ou, mais exatamente, nos cérebros dum conjunto de indivíduos, pois a língua não está completa em nenhum, e só na massa ela existe de modo completo. (Saussure 1857, pg 21)

Por fim, é necessário compreender que a língua é viva. Ela está em constante evolução, se transformando a cada dia dentro dos diálogos cotidianos da população, pois a língua não está completa em nenhum, e só na massa ela existe de modo completo. Dessa forma, é necessário também considerar as variações diatópicas (geográficas), variações diacrônicas (históricas) e as variações diastráticas (grupos sociais) dos indivíduos que exercem a fala, pois todos esses fatores afetam o modo como interagem como o sotaque, por exemplo. Variações diafásicas (formal x informal).também alteram a forma da conversa, a depender do objetivo da mesma. Os fenômenos linguísticos são muitos, temos a articulação, som, movimento dos órgãos vocais e imagem acústica, este último como sendo o eco do pensamento, ou seja, é aquela voz que alguém fala ressoando em nosso pensamento. Portanto, os caminhos que a língua pode seguir são infinitos, temos a capacidade de criar e
retransmitir ideias através da reflexão, diálogo e compartilhamento de informações. Tudo isso é um sistema complexo e muito interessante que pode ser estudado de forma heterogênea.

¹ Trabalho desenvolvido na disciplina de Introdução à Linguística


por Dyene Favaretto, Acadêmica do 1º semestre do curso de Letras. E-mail: 202575@upf.br

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