Os paradoxos do racismo e a busca por compreensão

Ah, o racismo, essa doença social em estágio avançado que precisa ser combatida com urgência. Já afetou nossos corações e mentes, espalhou-se pelas ruas e praças, e entrou em nossas casas como um hóspede indesejado que se recusa a partir. O racismo não conhece limites; transcendeu as barreiras de cor e, infelizmente, afeta principalmente os negros.

Graças a ele, de um lado temos brancos que nutrem ódio pelos negros; de outro, negros que retribuem esse sentimento. A história, meus amigos, é um verdadeiro palco de paradoxos: houve negros que caçavam outros negros, assim como brancos que lutavam pela libertação de negros para que tivessem seus direitos reconhecidos. Não é um espetáculo digno de um roteiro de filme?

Na tentativa de me libertar dessa praga chamada racismo, decidi procurar uma igreja. Chegando lá, deparei-me com a imagem de um sujeito chamado Jesus – um europeu de cabelos lisos, olhos azuis e pele clara, com estigmas muito bem desenhados nas mãos e nos pés. Um verdadeiro retrato de um senhor de escravos que tentou burlar o sistema. 

Para me desapegar dessa imagem, conversei com um colega africano que não acreditava em Jesus, mas acreditava que nosso Criador tinha as características de um idoso negro, de cabelos e barba brancos – um criador dos céus e da terra com os traços de um escravo. Ah, as ironias divinas que a vida nos apresenta!

E se é assim, já não sei mais. O que faz um boi ser divino e, ao mesmo tempo, churrasco? Um homem ser livre e, ao mesmo tempo, escravizado? Ser uma criatura e criar tantos criadores? Ser apenas uma raça e ainda ser racista?

Minha última alternativa foi perguntar aos nossos mestres de sala de aula,  pelos corredores da escola andei, incansavelmente, até que parei e desisti de perguntar, pois pensei: pobres de nossos professores, verdadeiros heróis sem superpoderes. Como eles irão nos explicar tudo isso em meio a salários desproporcionais, arriscando-se a receber pagamentos parcelados e sujeitando-se a greves para garantir seus próprios direitos?

Deste modo, já não sei se estamos no fim, ou se no fim, nunca houve um começo. Sei apenas que, do pouco que sei, tento reconhecer um pouco de tudo, mesmo quando, diante de tudo, encontro a mim mesmo e, ainda assim, diante de mim, não me reconheço.


por Jefferson de Oliveira,
acadêmico de Matemática na Universidade de Passo Fundo – UPF

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