No meio do caminho
Virando a esquina
Há o meu corpo caído
Por onde anda meu espírito?
Em cada cidade, rua, prédio
Que meus olhos alcançam através das janelas do ônibus, procuro
Entre pinheiros verde-escuros,
Quase vejo um semblante do passado, escondido, quase enterrado
(in)felizmente, o ônibus é rápido demais
Para que meus olhos possam ter tempo suficiente para decifrar
Na curva de um morro,
Me encontro de peito aberto ao mundo
Como se tudo e nada pudessem me tocar
Felizmente o tempo é rápido demais
Para que eu possa parar
Retorno à esquina
“Achaste teu espírito?”
Questiona meu próprio corpo caído
O que tenho de resposta são meras lembranças
Meros desencontros que quase encontrei pelo caminho
Juntando tudo que ainda não sei se sou,
E o nada que habita meu espírito:
“As coisas vêm e vão e eu sou um pouco disso tudo, não há constância, nem estado fixo”
por Grazi, acadêmica do 3° semestre do curso de Letras UPF.