Ah, Vida…

A vida é tecida de surpresas.
Não sei ao certo em que momento percebi
que jamais teria pleno domínio sobre ela,
mas recordo com nitidez o instante em que me perguntei, pela primeira vez:
“Por que comigo? Por que agora?”
Com o passar dos anos, os questionamentos apenas se multiplicaram,
como ecos que o tempo insiste em não calar.

A vida é irônica.
Quando eu era apenas uma menina sonhadora,
acreditava em príncipes encantados e finais felizes.
Com o tempo, porém, descobri que o encanto se desfaz,
e que, na realidade, surgem apenas sapos disfarçados de amores.

A vida é insana, às vezes.
Você surgiu sem aviso, como quem invade uma história já escrita.
Talvez sempre estivesse ali, à margem da minha visão,
mas entre tantos enganos,
a princesa distraída não percebeu o verdadeiro príncipe
que aguardava pacientemente ao seu lado.

A vida é bela.
Em apenas três meses — e quatro dias de encontros reais —
você me fez sentir como a mais afortunada das princesas,
enquanto, por três longos anos, um sapo havia me roubado a magia.

A vida é mágica.
Porque, pela primeira vez, senti-me verdadeiramente vista — e amada por isso.
Você me fez rir, cantar, dançar, nadar,
e até caminhar (ainda que essa parte tenha exigido certo sacrifício).

A vida é cor de rosa,
como a cor que sempre me acompanhou
e que, um dia, ainda pretendo te confessar ser a minha preferida.
Você despertou em mim sensações tão ternas
que, desde então, revisito mentalmente aqueles dias
como quem folheia um livro que jamais desejaria encerrar.

A vida é luminosa como o sol.
Você atravessou aquela porta
e iluminou cada canto da minha existência.
Nenhum de nós suspeitava, 

mas aquele seria o instante em que tudo mudaria.

A vida, agora, veste-se de cinza.
Você partiu — por necessidade, eu sei —
mas lidar com a distância é um fardo cruel.
Você prometeu voltar…
E, desde então, o tempo tem sido uma espera silenciosa.

A vida tem sabor de pimenta,
e eu sempre detestei pimenta —
assim como detesto a ardência de esperar por você.

A vida tornou-se amarga,
principalmente quando a mente sussurra a possibilidade
de que outra princesa ocupe o lugar que, um dia, foi meu.
Talvez mais bela, mais leve,
ou apenas mais próxima.

A vida é confusa,
pois, após tantos desencantos,
ainda me encontro disposta a tentar mais uma vez.
Há algo em você que me faz acreditar
que o amor, apesar de tudo, ainda vale a pena.

Ah, vida…
Mesmo com todas as suas ironias,
ainda acredito na magia.

Por Éllen Dias, acadêmica do curso de Letras UPF 

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