Nascido prematuro, em caráter de emergência,
Num país emergente, onde ao longe ecoava uma sirene,
Que me sentenciava a fumar sem deliberação:
Cinco cigarros por dia, de uma fumaça leve que, naquele dia, pesava
Mais de trinta milhões de toneladas,
Um fardo vil para um recém-nascido,
E ao mesmo tempo, recém sem teto,
Num desamparo sutil,
Com sonhos desfeitos pelas chuvas incessantes.
Enquanto contendas caíam sobre mim,
Travavam-se outras guerras em lugares distantes,
Que nos aproximavam do caos.
Justamente na minha geração,
Como se fosse uma profecia:
Nevou no deserto,
E o mar de água doce virou sertão.
Jovens no ENEM, atrasados na chegada,
Entrando na escola errada,
Fartos de sonhos que não preenchiam
A lacuna
Gerada
Pela ausência paterna.
Numa cidade vasta, de habitantes muitos mil,
Onde os poucos indígenas
Transitam nas ruas vendendo artesanato,
E vivem de favor por trás de uma rodoviária,
Sendo (in) gerenciados por autoridades autoritárias.
São muitas as versões e inversões de valores,
Mal nasci e ser vívido tornou-se meu antibiótico,
Pois neste universo sem bordas
você é vulcão,
Ou
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.
Por Jefferson de Oliveira,
Acadêmico de Matemática na Universidade de Passo Fundo – UPF