Escrever(se)

Cambaleou até o quarto,
tateou o interruptor,
queria acender(se) poemas.
As mãos fornicavam sob o papel,
os glúteos gemiam em atrito com a superfície da cadeira,
cada movimento cortava o silêncio
e o caderno teimava em verter palafetos.
Desejos de não parar de escrever(se) até encontrar a última gota de palavra,
contudo a mão dava sinais de esvaecimento
a cada gol(p)e de lucidez.
Aí estaria o problema. Qual?
Ausência de algum cuidado? Não necessariamente!
Porém escrever(se) sóbrio na companhia apolínea ininterrupta.
Talvez, fosse preciso embriagar-se de tempo com volúpia
e espatifar cada segundo-moribundo das horas
que atravancava a si e a mesa-receptáculo no decorrer do ato.
Uma pauleira, uns soluços, muitas ardências.
Ah, por fim, respirou com sofreguidão ao perceber
que para forjar tais poemas acendentes bastaria rasgar cada palavra
como se elas não necessitassem existir
e dadas as suas insignificâncias,
tornam-se devastadoramente belas.

Por Danimar Bonai, graduado em Licenciatura em História pela
UPF, graduado em Licenciatura em Filosofia pela UCS e Mestre em Educação pela UERGS
Professor de Filosofia

E-mail: danibonai@yahoo.com.br

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