A exposição “Viva a língua viva” foi produzida pelos acadêmicos do curso de Letras – Português e Inglês em uma ação extensionista vinculada ao projeto de Linguagens e Práticas Sociais na disciplina de Sociolinguística, no primeiro semestre de 2025. Portanto, a produção da mostra foi influenciada pelas perspectivas da Sociolinguística, que compreende a língua como fenômeno social e em constante transformação.
Dessa forma, a exposição buscou evidenciar que a língua varia conforme diversos fatores, como sociais, econômicos, históricos, etc. Também destacou a importância de reconhecer a legitimidade das diferentes formas de falar, isto é, a variação linguística. Outro propósito foi conscientizar acerca do preconceito linguístico, buscando combater o purismo linguístico que cria uma dicotomia entre certo e errado. De forma geral, a exposição teve como objetivo trazer reflexões relacionadas ao tema da disciplina de Sociolinguística.
A produção da exposição se deu a partir da escrita individual de um trecho que contribuísse para a popularização das reflexões sociolinguísticas. O trecho, produzido a partir das obras presentes nas referências bibliográficas da disciplina, poderia ser tanto uma paráfrase quanto uma citação direta. Para consulta, foi recomendada leitura de grandes nomes da linguística, como Carlos Alberto Faraco e Marcos Bagno, partindo de temas, tais como: origens da sociolinguística, variação linguística, mudança linguística, norma culta, gênero e linguagem, preconceito linguístico, variação regional, língua falada e escrita, linguagem e identidade, multilinguismo no Brasil, racismo linguístico e variação linguística no ensino.
Em seguida, o estudante deveria enviar sua produção em um formulário para a seleção da professora Patrícia Valério, que escolheu os trabalhos mais fiéis aos seguintes critérios: pertinência; alinhamento ao conteúdo; uso de fontes disponíveis na bibliografia da disciplina; número de caracteres propostos, escrita de acordo com a norma culta padrão, além do alinhamento teórico ao tópico escolhido pelo estudante.
Após a seleção dos trechos mais fiéis a esses critérios, os banners começaram a ser produzidos. Thomas Três dos Santos, responsável pela diagramação, fornece um relato sobre a experiência de participar da produção da exposição. Ele começa fornecendo detalhes acerca dos aspectos técnicos da produção da mostra: “A diagramação da Exposição ‘Viva a Língua Viva’ foi executada em duas ferramentas de edição, iniciando-se com o Canva para a pré-organização e coleta dos textos selecionados e previamente corrigidos. O projeto foi, então, transferido para o software CorelDraw, no qual se deu continuidade à fase da produção gráfica e definição final do layout. Nesta etapa, estabeleci as margens de segurança e a sangria de 6mm para garantir um resultado assertivo durante o acabamento final. Para garantir a acessibilidade de leitura, foi utilizada a fonte ‘Open Sans’, de fácil compreensão, com o tamanho 104 para os textos e 64 para as referências, garantindo a leitura por todos. A paleta de cores foi extraída diretamente da identidade visual da Universidade de Passo Fundo, assegurando a coerência com a produção universitária da exposição”.
Ademais, Thomas ressalta seu maior desafio: “durante a diagramação foi a gestão do tempo em um projeto com mais de 30 textos distintos, cada um com uma especificação única”. Mas mesmo assim, Thomas acredita ter conseguido “transformar as ideias da Professora Patrícia Valério em uma realidade satisfatória, além de agradar os alunos que tiveram seus textos escolhidos para representar a exposição”. Por fim, agradeceu a oportunidade de participar do processo de elaboração da mostra, acrescentando que “foi uma experiência muito enriquecedora” para sua formação acadêmica.
Mais do que uma exposição, “Viva a língua viva” foi um convite à comunidade a experienciar um pouco das variadas formas da língua ser apresentada. Dessa forma, durante o Interação 2025 os estudantes que passaram pela exposição puderam ter contato com essa experiência linguística. Segundo alguns relatos dos acadêmicos que participaram do evento, os jovens estudantes que buscam descobrir seu curso tiveram muito interesse em compreender as manifestações lá expostas, além de demonstrarem curiosidade acerca de assuntos de cunho sociolinguístico.
Relembrar o valor de inserir as diferentes realidades linguísticas ao alcance de toda a comunidade é também valorizar a cultura e a identidade de todos os seus falantes. Através dessa atividade interativa a língua pôde ser explorada como um todo, com suas origens e transformações, regionalidades e normas, variações e expressões. Acreditar que gestos como esse são pequenos passos para a democratização da língua é o que inspira todos os participantes a manterem-se nesse caminho.
Por Cassiane de Oliveira Zanotto e Kaliandro Oliveira de Lima
Estudantes do curso de Letras (Português e Inglês), nível IV


