O ensino de História: uma porta para a formação de leitores

Pensar a formação de leitores literários em diferentes linguagens é um desafio há décadas, seja pelas mudanças tecnológicas, seja pela banalização do ato de ler como entretenimento. Mais desafiador ainda é perceber a literatura como base para o ensino de História. Por isso, o nosso objetivo é discutir a relação do ensino de História com a formação de leitores por meio de um relato de experiência. 

É nesse sentido que apresentamos atividades desenvolvidas durante a oficina de Leitura e Compreensão Leitora, do Programa em Tempo Integral do Município de Passo Fundo – SME/UPF, discutindo a utilização de obras para o ensino de História.

Realização das atividades em sala de aula

Para tanto, partimos de um viés historiográfico da adaptação de uma obra literária, chamada O diário de Anne Frank (em quadrinhos), para expor momentos históricos, como o contexto da Segunda Guerra Mundial, envolvendo o sofrimento do povo judeu, os métodos de repressão utilizados pela Alemanha Nazista, como também a pressão psicológica sofrida pela protagonista, que testemunhou a Guerra. 

De acordo com Bittencourt (2018, p.102), “um dos objetivos centrais do ensino de História, na atualidade, relaciona-se à sua contribuição na constituição de identidades”, indo além da criação apenas de uma identidade nacional, mas uma identidade social, crítica, a qual desenvolve autonomia.

Leitura em conjunto

Durante as aulas, o ensino de História tornou-se mais perceptível, abordando o contexto diretamente aos estudantes de diversas maneiras ao longo do planejamento, que utiliza da ideia de um ensino que deve principalmente ser o abridor de portas para o entendimento histórico. Nesse sentido, ao apresentar a obra O diário de Anne Frank, os estudantes foram convidados a fazer uma leitura coletiva e orientada pelos professores da oficina. Essa etapa inicial é fundamental para que o estudante entenda a magnitude da obra, que, a partir de um evento histórico, exibe a vivência de uma personagem judia.

A partir desse olhar, aliado a uma intencionalidade pedagógica explícita tanto para o professor quanto para o aluno, foi exposto o contexto de repressão vivenciado pelo povo judeu na Europa, entendendo que o genocídio apenas estava em seu início. Por essa razão, os alunos foram se conectando à protagonista de 13 anos, Anne Frank, que se encontrava na Holanda durante a 2ª Guerra Mundial.

Como apresenta Bittencourt (2018), houve uma mudança expressiva no âmbito do ensino de História: antes, o objetivo principal era construir uma identidade nacional, ligada a diferentes interesses; atualmente, o ensino estrutura-se a partir de uma identidade social, com a ideia de permitir maior autonomia ao estudante. Por essa razão, procuramos aproximar o estudante por meio de um olhar crítico em relação ao evento histórico, como também a partir da sensibilidade construída através de exercícios, leituras e rodas de conversa.

Ao propor atividades interativas, os alunos foram convidados a se colocar no lugar da protagonista que testemunhou os horrores da guerra. Nesse sentido, o exercício de empatia permitiu um olhar para si, processo fundamental à construção da identidade.

Por meio deste relato de experiência, buscamos apresentar a relação entre o ensino de História e a Literatura. Defendemos uma abordagem que aproxima o texto literário de aspectos históricos, os quais permitem o desenvolvimento de um olhar crítico e humano.

Referências:
BITTENCOURT, C. M. F. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2018.
FOLMAN, Ari. O Diário de Anne Frank em quadrinhos. São Paulo: Record, 2017.


Por Guilherme Elias Pasqual, acadêmico do VI nível do curso de História e monitor da Oficina de Leitura e Compreensão Leitora, e William Dahmer Silva Rodrigues, professor de Língua Portuguesa e Coordenador da Oficina de Leitura e Compreensão Leitora.

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