PIBID na UPF: descobrindo a docência na prática

Programa conecta licenciandos a escolas públicas de Passo Fundo, oferecendo vivência prática essencial e desenvolvendo o “ensino como acolhimento”

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é um projeto criado em 2007 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de promover a prática docente dentro dos cursos de licenciatura, de modo a articular teoria e a prática. Assim, durante o período de dois anos, os estudantes de distintos cursos de licenciatura poderão vivenciar experiências de docência antes de concluírem a graduação, recebendo, para isso, uma bolsa no valor de R$700,00. 

Na Universidade de Passo Fundo (UPF), o PIBID opera desde 2010 e, atualmente, atende 48 bolsistas distribuídos igualmente em subprojetos de Letras/Filosofia e História/Artes/Música. A iniciativa não apenas promove o trabalho interdisciplinar, mas também insere os futuros educadores diretamente na realidade de diferentes instituições públicas de Passo Fundo, como a Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro e as Escolas Municipais Eloy Pinheiro Machado e Professor Arno Otto Kiehl. 

A estrutura do programa é rigorosa. Antes de qualquer intervenção, os “pibidianos”, como são chamados, passam por uma fase crucial de imersão e observação. Sob a orientação de uma professora supervisora na escola, os bolsistas analisam documentos institucionais como o Projeto Político-Pedagógico (PPP), a BNCC e a LDB, para garantir que seus planos de aula estejam alinhados às necessidades reais dos alunos. Essa combinação de estudos teóricos e intervenções práticas é o motor do PIBID. 

Os bolsistas acompanham o dia a dia, elaboram e aplicam planejamentos, observam os processos de ensino-aprendizagem e lidam com os desafios concretos da profissão. É nesse contato direto que a teoria ganha vida, aprimorando habilidades pedagógicas e, principalmente, desenvolvendo a sensibilidade para as realidades de cada estudante. 

A eficácia do programa se revela nos relatos dos estudantes. Para Maria Clara, pibidiana na Escola Eloy Pinheiro Machado, a experiência foi decisiva para entender o ensino como um processo de acolhimento.  

“No PIBID, pude estar em contato direto com alunos que realmente precisavam de apoio nas aulas de português. As aulas de reforço me ajudaram a entender de perto as dificuldades deles e a pensar em maneiras mais práticas e acolhedoras de ensinar.” — Maria Clara Cordeiro Araldi, bolsista do subprojeto Letras/Filosofia. 

Maria Clara destaca, em particular, o trabalho com estudantes imigrantes, onde a língua portuguesa se torna uma ferramenta de integração e autoestima. “Preparar atividades, adaptar conteúdos e acompanhar o progresso deles me mostrou o quanto o ensino de português como língua de acolhimento é necessário, e reforçou ainda mais minha vontade de seguir na área da educação,” complementa. 

Na Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro, o contato com uma turma do Ensino Médio foi o divisor de águas para Fabiana Bonato. A experiência na sala de aula foi fundamental para compreender os aspectos da docência que não podem ser ensinados em disciplinas teóricas. 

“Estar em uma sala de aula real, com situações do dia a dia, sentindo na pele as emoções que nos atravessam a partir dessa experiência, é algo difícil de explicar. Existem aspectos da docência que a teoria não alcança, e estamos tendo a chance de encostar nesse mundo real do ensino-aprendizagem.” — Fabiana Bonato, bolsista do subprojeto Letras/Filosofia. 

Para Fabiana, iniciar a vivência no 2º semestre do curso de Letras garante uma formação integral. “Sei que, com isso, seremos professores melhores e mais conscientes por causa dessa experiência,” conclui. 

A integração entre a universidade e as escolas é supervisionada pelo coordenador institucional, professor Gerson Luís Trombetta, da UPF. Os subprojetos contam com coordenações específicas de professores com vasta experiência na área, como Gisele Benck de Moraes (Letras/Filosofia), Alessandro Batistella (História), Lorilei Secco (Artes) e Alexandre Saggiorato (Música). Relatos como os de Maria Clara e Fabiana reforçam o caráter humanizador do PIBID. Mais do que transmitir técnicas e metodologias, o programa oferece aos futuros professores uma visão realista, sensível e comprometida com o ensino público. Dessa forma, o PIBID se consolida como um espaço onde se aprende, se ensina e, sobretudo, se transforma tanto o olhar do bolsista quanto a realidade das escolas envolvidas.

Por Gabriela Ferreira Ramos e Kaliandro Oliveira de Lima
Estudantes do curso de Letras – IV nível / Bolsistas do PIBID-UPF

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