É inegável que a tecnologia transformou a vida de todos. O impacto da pandemia acentuou seu uso, tanto no consumo para entretenimento como ferramenta de trabalho. Em vista disso, o comportamento humano foi adulterado e pôs em xeque a saúde das pessoas, causando danos psicológicos como insônia, ansiedade e depressão.
A quantidade de pessoas insones vem aumentando a cada década, segundo especialistas. Dados da Associação Brasileira do Sono (ABS) apontam que cerca de 73 milhões de brasileiros sofrem com o distúrbio. A luz emitida pelas telas dos dispositivos bloqueia a liberação da melatonina, hormônio responsável por avisar ao corpo que está na hora de dormir, causando insônia nos usuários. O sono insuficiente traz maiores chances de desenvolver doenças como depressão, ou piorar quadros de estresse.
Em média, as pessoas usufruem das redes sociais por apenas 3 horas ao longo do dia. Embora o período pareça insignificante, o consumo constante de aspectos fragmentados de felicidade e sucesso gera adrenalina, e noradrenalina é o veneno mais consumido pelas pessoas nos dias atuais. Para o Ministério da Saúde a desregulamentação desses neurotransmissores é uma das principais causas para a depressão que assola 15,5% dos brasileiros ao longo da vida.
Ingenuidade pensar que a casa dos sonhos, o carro do ano, a promoção no trabalho ou uma viagem para Las Vegas não estejam associados a esse efeito borboleta. Esse cenário danoso estimula a memória seletiva. O filósofo Cortella diz que “Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante”. Instante, não constante. Testemunhar os momentos mais importantes das outras pessoas gera a necessidade de participar ativamente daquele momento, instantaneamente. Por conta disso, aproximadamente 9% dos brasileiros sofrem de ansiedade patológica.
O afastamento das redes sociais requer uma disciplina exemplar. Silenciar ou desabilitar notificações podem ser o caminho para o desfecho do “vício”. Além disso, estudo recente da Universidade da Austrália do Sul mostrou que optar por atividades físicas ao ar livre, em contato com a natureza, diminui os níveis de ansiedade e depressão e é melhor do que medicamentos e psicoterapias.
por Felipe Matiasso – estudante do Curso de Jornalismo da UPF