Redes sociais – impactos na saúde mental

Que as redes sociais são importantes ferramentas ninguém há de negar. Com elas temos agilidade na troca de informações, maior diversidade na busca de conteúdos e, ainda, ganhamos o que antes era inimaginável para o ser humano – o contato, em tempo real, com quem está a milhares de quilômetros de nós. Porém, pouco se discute sobre os impactos negativos das mesmas e como elas acabam interferindo no cotidiano e na saúde da população. 

De acordo com dados da Royal Society for Public Health, as redes sociais podem provocar efeitos positivos ou nocivos à saúde humana, dependendo de como são utilizadas. Embora o uso controlado dos meios não cause danos à integridade dos usuários, o uso excessivo o faz.  Portanto, é considerado danoso o uso exagerado e incontrolável das redes que possa vir a se demonstrar como dependência. 

Estudos de Denise De Micheli, chefe da disciplina de Medicina e Sociologia do Abuso de Drogas da Universidade Federal de São Paulo, provam que o uso das redes sociais causa dependência e atinge o bem-estar do indivíduo. Segundo a pesquisa realizada, dos 260 jovens entre 13 e 17 anos que participaram da amostragem, 68% deles apresentavam dependência moderada, enquanto 20% enquadravam-se como dependentes graves. De acordo com o estudo, os dependentes graves apresentam menores médias nas esferas física, sentimental, social e escolar, indicando maior prejuízo nesses campos e menor qualidade de vida do ponto de vista global.

De mesma forma, um estudo realizado pela Chicago Booth School of Business indica que o Facebook, Twitter e outras redes sociais têm uma capacidade de viciar superior à do tabaco ou à do álcool, criando sérias dependências. Consequentemente, infligem ao usuário sentimento de distanciamento da vida real, depressão, ansiedade e irritabilidade pelo uso constante. Consoante estudo da Unifesp aponta que  33% dos jovens usam o celular quando vão ao banheiro; 51% usam durante as refeições; 90% utilizam na cama antes de dormir; 92% o checam logo que acordam e 65% resistem ao sono ou dormem pouco para continuarem on-line.

Os motivos do potencial dos aparelhos e seus aplicativos em viciar são claros: descargas constantes de dopamina. Quando acessamos as redes sociais – e recebemos um like, um elogio, ou um comentário – nosso cérebro fica muito feliz e produz a substância. Por isso passamos a olhar mais, interagir mais, acessar mais… assim tentamos desesperadamente receber mais descargas de dopamina. Para entender como a falta da dopamina age, podemos analisar um estudo da Universidade Estadual da Califórnia. Ele confirma que 51% dos indivíduos estudados experimentaram níveis moderados a altos de ansiedade quando proibidos de verificar seus dispositivos por mais de 15 minutos.

Desta forma, entende-se que quanto mais utilizarmos nossas redes sociais, maiores serão os níveis de dopamina e maior será a dependência do indivíduo. Ao não obter essa substância de forma fácil e rápida, os sinais como ansiedade, irritação e depressão (citados anteriormente) se intensificam, criando um ciclo vicioso. Assim, não se torna errôneo dizer que carregamos a droga mais viciante que já existiu em nossos bolsos e mochilas.


por Júlia Berghetti Xavier – acadêmica do Curso de Jornalismo UPF

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