Dissílaba

A ti, famigerada nação
de desordem no congresso,
com estimada satisfação,
dedico estes versos.

Tenho visto vossos jovens
caminhar sobre os espelhos,
clamando pelo que tu não tens.
Assim, tão dedicados, são vossos filhos.

Orgulhosa deves estar,
pois vossos índios,
que estão sem onde morar,
agora têm trabalhos contínuos.

Gosto tenho em dizer
que desta flâmula
tenho visto nascer
pássaros à queimar vossa redoma.

E que por vossa ordem
e por vosso progresso
vejo soldados, armados, subirem
com a mira naqueles que estão em excesso.

Vossas valas, infestadas de vermes,
são tão férteis quanto vossos solos,
frutíferos, mas ainda estéreis,
pela quantidade de fetos neles mortos.

E esta minha paixão por ti escancarada
eleva-me a tal nível de fervor
que minha geração não tem palavra para expressar
o que sente por ti, ó minha pátria
enganada,
a não ser
a dissílaba,
amor.

 


 

Poema de Denny Freitas, estudante de Letras da
Universidade de Passo Fundo. 

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