Uma noite pelo mundo: há muito para partilhar

O que é cultura? Para determinados círculos intelectuais, é tudo (e somente) aquilo que está alocado em museus e galerias de arte. Mas a cultura perpassa o intocável, o famoso “don’t touch, it’s art!”. Basta uma rápida pesquisa na internet para descobrir que cultura também é aprender e conviver com aquilo que é diferente do que se está acostumado. Através da arte da conhecença, pode-se abstrair elementos e costumes que compõem símbolos de um povo atravessado por sua história. Eis então o fenômeno que o evento “Uma Noite pelo Mundo” promove e enaltece a cada edição realizada para a comunidade acadêmica e geral de Passo Fundo e região. Neste ano, a celebração ocorreu no dia 4 de setembro com o tema “Juntos construímos um presente e futuro mais vibrante e inclusivo”.

Uma viagem que convida as pessoas a imergir, durante toda uma noite, no âmago da cultura e das vivências de povos geograficamente distantes, mas próximos quando se fala em resiliência, afeto, coletividade e sapiência. Pensando nisso, anualmente a UPF, através da Assessoria Internacional em parceria com diferentes projetos de extensão da Instituição, reúne países de diversos continentes nessa celebração à diversidade: Estados Unidos, Venezuela, Cabo Verde, Marrocos, Senegal, México e Japão, além de grupos culturais como os Cavaleiros do Planalto Médio, o grupo de difusores do dialeto Talian e diversas atrações, exposições e projetos que permeiam o tema da edição.

O evento estava programado para acontecer no primeiro semestre de 2024, porém foi cancelado pelo triste motivo das enchentes de maio que atingiram, inclusive, o município de muitos acadêmicos da Universidade. Diante de tamanha tragédia, a necessidade de integração e promoção da riqueza de nossas culturas mostra-se ainda mais urgente, afinal, muitas vezes na história tudo que um povo teve foi a si próprio apenas.

Uma Noite pelo Mundo não é apenas sobre conhecer outras culturas, é, também, sobre conhecer pessoas, ver como elas vivem, como se relacionam, o que amam e o que faz delas uma comunidade. Através do olhar de seus próprios descendentes, temos a oportunidade de ver a intimidade de uma cultura, tudo aquilo que a compõe e como seu povo se relaciona com ela. Quando nos aproximamos do diferente, percebemos que, na verdade, a distância é pequena e somos, então, compelidos a sair da “bolha” em que vivemos e ir para o mundo, em uma única noite.

No momento em que valorizamos vivências diferentes, valorizamos, ao mesmo tempo, as pessoas, o ser humano, começamos a entender o que há de primoroso nas relações interpessoais: importam os laços que formamos, as experiências que compartilhamos. Com isso aprendemos o sentido da alteridade, enxergar o outro como diferente, mas não uma diferença assustadora, apenas diferente. Que possamos aprender com isso: aprender  a respeitar e aprender a admirar aquilo que não conhecemos, e então, desejar conhecer. 

O evento Uma Noite pelo Mundo possibilita vivenciar isso de maneira festiva e acolhedora. É um  momento em que se compartilham comidas, bebidas, arte, músicas, conversas, idiomas e tantos outros símbolos de povos e culturas diferentes. Os participantes ofertam uns aos outros um pouco dos traços singulares de sua comunidade. Fica difícil pensar em algo mais generoso e amoroso que esse ato de doar e compartilhar o que nos constitui como sujeitos.

Se você, leitor, não tinha conhecimento desse evento ou não pôde dele participar, saiba que as próximas edições serão imperdíveis e você é nosso convidado! Venha também participar dessa experiência incrível, que proporciona, numa noite, uma volta pelo mundo.


por Evelyn Bichoff Nascimento e Fabiana da Silva Bonato, acadêmicas do 2º nível de Letras UPF

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