A História de um Objeto na UPF

O isopor foi fabricado, nasceu e logo foi vendido para uma empresa de música. Seu propósito foi definido cedo: proteger a caixa de som para que ela não se quebrasse. O conjunto de bolinhas comprimidas tinha um sonho, apesar de sua condição de vida: queria ser neve, com seus flocos soltos caindo pelo céu.

O pobrezinho passou cerca de metade de sua vida em um depósito, mal conhecendo a cor do sol. De seus colegas de quarto que iam e vinham, ele ouvia boatos sobre o lado de fora. Por isso, tinha esperança de que um dia algo interessante se realizaria. Quando ousava pensar mais, imaginava seu sonho chegando.

Um dia, cujo número e mês o isopor não sabia, um inominado estudante de Música comprou sua colega caixa de som. Juntos, eles pararam em um porta-malas e viajaram até a UPF, onde o carro foi estacionado em frente ao D2. Animadamente, o estudante abriu seu novo item e, no processo, quebrou o isopor em dois pedaços, ambos os quais abandonou e deixou na sarjeta — sem nunca voltar por eles — enquanto ia com a caixa para dentro do prédio.

Separado de seu irmão, um dos pedaços do isopor, não mais perto dos seus tempos de glória do que antes, via seus dias passando e assistia a universitários transitando pra lá e pra cá. Em uma noite aleatória, uma estudante de Artes se aproximou e, agindo de forma estranha, tirou algumas fotos dele. Ela até imaginou que ele pudesse ser movido daquele lugar desconfortável, o que foi em vão. Após terminar o que queria, a estudante virou as costas e foi embora, deixando o miserável pedaço de isopor continuar com sua miserável vida.


por Leah, estudante do curso de Artes Visuais UPF

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