Da UPF à Polônia: uma jornada acadêmica em Lublin  

Patrícia Braciak, egressa do curso de Letras (UPF) e agora estudante de Mestrado no Programa de Pós-Graduação da mesma instituição, está em um intercâmbio acadêmico na Universidade Maria Curie-Skłodowska, em Lublin, na Polônia.

Em entrevista, Patrícia, que é natural de Getúlio Vargas (RS) e descendente de poloneses, contou que a experiência de um intercâmbio é singular e de grande proveito.

Rhaíssa: O que motivou sua decisão de viver essa experiência internacional durante o mestrado? E por que a escolha pela Polônia?

Patrícia Braciak: Meu vínculo com a UPF iniciou em 2021, quando entrei no Curso de Letras. Desde então, sempre tive interesse no intercâmbio acadêmico. Quando vi o edital do Programa Erasmus+ KA171, voltado aos estudantes do Mestrado em Letras da UPF, enxerguei a possibilidade de realizar esse sonho em um país distante, mas muito especial para mim: a Polônia. Após ser selecionada, iniciei, com o apoio da Assessoria Internacional e da Profa. Dra. Luciane Sturm, os preparativos para essa grande jornada.

Primeiras impressões e cultura polonesa

Rhaíssa: Como foram suas primeiras impressões da Polônia? O que mais chamou sua atenção em relação à cultura, às pessoas e às tradições locais?

Patrícia Braciak: A cultura polonesa é viva, colorida e vibrante! O país carrega uma história riquíssima e engrandecedora, que nos ensina resiliência e esperança. Para mim, que sou descendente, afirmo que o país possui um brilho especial e que, na maioria das vezes, superou minhas expectativas.
Posso dizer que os poloneses não são tão calorosos como nós, brasileiros. Talvez para nós eles sejam até mais reservados ou tímidos, mas ainda assim são verdadeiramente respeitosos, gentis e muito hospitaleiros. Tanto na universidade quanto fora dela, tive boas experiências, sendo bem recepcionada e recebendo ajuda quando necessário.
Não vivenciei um grande choque cultural. Talvez a diferença mais marcante seja que, aos domingos, a maioria das lojas e mercados permanece fechada, enquanto no Brasil, mesmo em cidades pequenas, é comum haver estabelecimentos abertos.
Também pude conhecer tradições interessantes do país. Cito como exemplo os costumes da Páscoa, como a Święconka, que consiste na bênção de uma cesta com alimentos que devem ser consumidos na manhã de Páscoa; e a oficina de pisanki, cascas de ovos decoradas com cera de abelha. Ambas tradições existem de diferentes formas nas comunidades polonesas do Brasil, mas fiquei muito feliz por vivenciá-las na Polônia. Ressalto ainda a tradição da Majówka, um feriado prolongado nos primeiros dias de maio, que celebra datas históricas do país: o Dia do Trabalho (1º), o Dia da Bandeira (2) e o Dia da Constituição (3). Nesse período, é comum aproveitar o tempo livre com a família e amigos, viajar e assistir aos desfiles comemorativos e apresentações culturais.

Idioma

Rhaíssa: Antes de viajar, você já tinha contato com o idioma polonês? Como tem sido a experiência linguística no cotidiano e na universidade?

Patrícia Braciak: Antes de viajar, eu já tinha contato com o nível básico da língua polonesa, por influência da família e por iniciativa pessoal. Ainda assim, a língua é difícil, e sei que todos os estudantes intercambistas enfrentam muitas barreiras linguísticas, independentemente do país.
Entretanto, no dia a dia universitário, a comunicação com muitos colegas, professores e amigos ocorre principalmente por meio da língua inglesa, mas, pasmem, também da língua portuguesa! O interessante é que, no departamento de linguagens, nos cursos de Filologia e Linguística Aplicada, é possível conhecer estudantes e professores que falam, entre outras línguas, o português. Afinal, a universidade também disponibiliza o Centro de Língua Portuguesa — Camões, dedicado exclusivamente ao nosso idioma.
De modo geral, acredito que na Polônia, principalmente em locais turísticos, é possível comunicar-se facilmente apenas com o inglês. Mas como saber nunca é demais, a UMCS oferece aos intercambistas um curso básico e imersivo de língua polonesa.
O melhor do intercâmbio, porém, é conviver com pessoas de vários países, conhecer mais sobre suas línguas maternas e, assim, suas culturas e formas de ser.

Universidade e rotina acadêmica

Rhaíssa: Como tem sido sua rotina acadêmica na Universidade Maria Curie-Skłodowska? Existem diferenças marcantes em relação às universidades brasileiras?

Patrícia Braciak: Na UMCS estou no mestrado em Linguística Aplicada — Português/Inglês. Aqui, as aulas têm foco no uso efetivo de ambas as línguas, com ênfase na gramática. Há também aulas práticas de tradução consecutiva, algo que até então não havia experienciado.
São muito interessantes as disciplinas sobre a Polônia, como cultura e língua polonesa e história contemporânea, que trazem conhecimentos importantes sobre o contexto do país. De modo geral, gostei muito das disciplinas e também do apoio e da receptividade dos colegas e professores poloneses.
Durante esse período, também tenho participado de atividades envolvendo a língua portuguesa, mostrando aos colegas do curso a vertente brasileira da língua, bem como a diversidade da nossa cultura.

Moradia e adaptação

Rhaíssa: Como foi sua adaptação à vida na Polônia em relação à moradia, ao custo de vida e à rotina do dia a dia?

Patrícia Braciak: Atualmente, moro em um dormitório estudantil da UMCS. A moradia é ofertada a todos os estudantes intercambistas e também aos poloneses que residem em outras cidades, distantes de Lublin. A possibilidade de morar em um apartamento próximo a universidade e ao centro da cidade facilita a integração e a adaptação à nova realidade. Assim, é possível ter acesso a mercados, farmácias, restaurantes e vários outros serviços importantes e administrativos relacionados a estadia. De um modo geral, o custo de vida no país não é muito elevado, o que favorece os estudantes brasileiros, afinal o Zloty polonês (moeda local) tem um valor semelhante ao real brasileiro. Ainda assim, minha estadia tem sido tranquila, pois estudantes intercambistas não precisam pagar mensalidades e principalmente, tive a incrível oportunidade de receber a bolsa Erasmus+ KA171.

Experiência pessoal

Rhaíssa: O que essa experiência internacional tem representado para você, Patrícia? Existe algum aprendizado ou sentimento que gostaria de destacar?

Patrícia Braciak: Toda essa experiência é muito gratificante e enriquecedora tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal. A oportunidade de estar aqui é única e tenho certeza de que voltarei mais confiante e independente, com uma mente mais desenvolvida e com uma bagagem de aprendizado e boas lembranças.

Por Jaciara Fernandes e Rhaíssa Hannecker Barbosa, mestrandas em Letras do PPGL UPF.

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