Dia da Mulher, 8 de março, um dia tão grandioso. O dia do “Parabéns, guerreira”. O dia do bombom e da flor. O dia em que todos postam um “Feliz Dia da Mulher” nas redes sociais. O dia em que todos, de repente, parecem se importar com isso. Comemoram o Dia da Mulher como se fosse uma data alegre, vendem produtos como se fosse uma data comemorativa comercial — porque é o que virou.
O engraçado é: por que não parecem se importar nos outros 364 dias do ano? Não parecem se importar em agir no resto do ano, ignoram quando alguma mulher pede ajuda, debocham de algum gosto, julgam a aparência, dão risada quando os amigos fazem piadas sobre suas companheiras.
Outra questão: por que tratam como uma data comemorativa e alegre? Ninguém lembra o real significado de termos um dia. Do porquê precisamos ter um dia. Não é para nos acharmos superiores ou mais importantes que o resto, como alguns gostam de dizer.
Falam que não faz sentido ter esse “Dia da Mulher”, que é sem significado. Esse dia era para nos fazer lembrar de um 8 de março de 1917, em que operárias russas foram às ruas em protesto, buscando salário e horários de trabalho dignos. E tudo que isso significa não é apenas a data e o acontecimento, mas toda a luta por trás.
Julgam uma mulher por ter uma simples tatuagem de borboleta, mas não vejo essas mesmas pessoas se importando, na mesma medida, com uma mulher que foi agredida. Julgam a roupa que usa, o lugar que frequenta, as companhias que escolhe. Sempre há um motivo para julgar, para jorrar ódio e preconceito. Importam-se em dar ênfase a esses detalhes, para diminuir. E então, no Dia da Mulher, todos param com isso — para depois voltar.
Dia da Mulher não é sobre flores, é sobre criar consciência da falta de respeito que ainda existe, da falta de direitos e de proteção, e lembrar de pensar nisso durante o resto do ano, não só no dia 8 de março.
Não há como ter todos os direitos possíveis quando, em menos de três meses, já houve mais de 240 feminicídios; quando criam um documentário para descredibilizar a história de uma mulher que deu nome à Lei Maria da Penha; não quando há, em média, 12 mulheres sendo agredidas por dia no Brasil.
Sendo assim, Feliz Dia das Mulheres!
Por Sarah Isabelli Weber Dick, aluna do 2º ano de Mecatrônica Integrado do IFAR, Campus Santa Rosa.